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Bring It Back: Quando KRS-One gravou com Diddy

By 11 de novembro de 2015 No Comments

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Aproveitando o anúncio de um novo disco de KRS-One para esse mês e o lançamento do projeto MMM de Diddy, surgiu a oportunidade de relembrarmos uma faixa que se pararmos para pensar, é um tanto irônica. Step into a World (Rapture’s Delight) (Remix), de KRS com o chefão da Bad Boy, lançada em 1997, no disco I Got Next do lendário rapper.

KRS-One sempre representou uma figura muito mais ligada com a cultura do que fazer dinheiro, chegando a condenar inúmeros artistas por essa postura ao longo de sua longínqua carreira. O oposto mais extremo dele pode ser retratado em Diddy, na época, Puff Daddy. O fundador da Bad Boys Records sempre teve uma mente orientada a fazer grana. Seu maior exemplo, Biggie, tinha uma carreira extremamente bem agenciada por Diddy, que fazia questão do rapper estar nas rádios faturando quanto nas ruas fazendo o “verdadeiro hip-hop”.

source-march-1997-90Em 1997, é claro, Diddy ainda não havia seus investimentos multi-milionários em mãos. A grife de roupas, Sean John, só começaria um ano depois, se tornando referência se tratando de moda dentro do hip-hop. Ciroc ainda não era um investimento pensado, afinal, a bebida apareceria apenas em 2003, e o rapper só tomaria conta dos negócios da marca na América em 2007. Ou seja, o respeito por ter trazido para nós Biggie era bastante grande na época.

I Got Next é o terceiro disco solo do professor KRS-One, e tinha a responsabilidade de suceder o clássico disco homônimo do emcee, lançado em 1995. O penúltimo trabalho entre a relação Jive Records X KRS não agradou tantos os críticos da época, mas mesmo assim, trata-se de um belo trabalho. A faixa bônus do álbum é a inusitada Step into a World (Rapture’s Delight) (Remix), que traz dos opostos colaborando na mesma faixa. Na época, como citado acima, ela não causou tanto impacto pela colaboração, como revela Kris:

“Entrei em um espaço criativo novamente em Step Into A World, produzida por Jesse West. Musicalmente, nós éramos capazes de exploar tudo o que queríamos fazer. Nos tornamos homens livres. Era tão fácil. Foi o nosso som! Mas devo admitir: não ficamos receosos quando Diddy começou a fazer o remix da faixa, pois mantenha na cabeça… em 1997 ele era o cara! O pessoal esquece o quanto a Bad Boy era poderosa: Biggie, Craig Mack, 112, Faith Evans… eram imparáveis. Então não ficamos com receio porque Puffy era o rei do Rap na época…” 

“Logo após [o lançamento de Step Into A World] voltei para a minha fórmula, indo para a comunidade falando, “Você acha que venda de músicas fazem de vocês os mais fodas? Não, não faz! Sei disso porque tenho a faixa n.1 no mundo! Foi a minha campanha. E eu fui mais fundo nisso, pois pedi para Puffy remixar minha parada. Vi ele em um clube e o chamei, ele topou. E fez isso de graça,” falou KRS sobre o sucesso da original Step Into A World. 

Diddy começou a fazer mais sucesso no ano de 97. Com muito tempo nas rádios, o rapper simplesmente começou ser mais criticado pelos membros da comunidade nos anos seguintes. KRS nunca ligou para as críticas, sempre falando que o magnata da Bad Boy era uma pessoa real.

Fat Joe e KRS-One

Fat Joe e KRS-One

Após o disco, KRS-One foi vice-presidente de A&R (Artistas & Repertório) da Reprise Records, fundada por ninguém menos que Frank Sinatra. A gravadora era subsidiária da Warner. Ele abandonou a posição em 2000, cansado da vida de executivo.

Step Into A World (Remix) tem o seu valor como já disse o próprio KRS. Principalmente por unir dois opostos dentro do cenário do Rap, algo que não vemos tão frequentemente.

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Jhonatan Rodrigues

Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.

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