Entrevista com MC Aurea Semiséria

Você conhece as bruxas lendárias do norte?

Diretamente de Salvador, Aurea Semiséria trocou uma ideia com a gente sobre a sua carreira, seu EP “Roxo GG” lançado recentemente e a importância da união das minas no movimento Hip Hop. Ela faz parte do coletivo Na Calada, de Salvador, que conta com uma pá de rapper firmeza da cena 071.

Se liga na entrevista:

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RAPLOGIA: Como o Hip Hop surgiu na sua vida? O que fez você se apaixonar por ele?

AUREA SEMISÉRIA: Eu ouço rap desde sempre. Desde quando eu ficava na casa de uma moça chamada Sandra, onde os filhos dela sempre ouviam rap gospel. Eu tinha uns 5/6 anos, e pra falar a verdade, eu tinha um pouco de medo dos assuntos que os cantores declaravam nas musicas. Meu pai costumava ouvir muito samba, e gostava bastante de Marcelo D2 e Gabriel O Pensador, com isso fui tomando gosto pelo estilo musical, e quando tive acesso a Internet procurei conhecer mais sobre. Eu lembro que no ensino fundamental, eu ouvia MV Bill, Pregador Luo, Ao Cubo, Dexter, Expressão Ativa, com uma colega de sala que ia sempre fazer atividades comigo na casa onde eu morava, e tínhamos que ficar com a porta fechada, porque minha mãe tomava conta de crianças e não gostava do que a gente ouvia.

Tive certeza de que o meu amor pelo rap era maior que eu quando eu fui para um show do Ao Cubo onde eu passei a noite inteira esperando pela entrada deles e fiquei estalada vendo aquilo tudo (risos). Embora fosse [rap] evangélico, eles falavam sobre minha realidade no momento, e com isso eu peguei amor pela coisa e comecei a “escrever” tudo oque eu sentia, mas fazia de tudo para que o final da frase rimasse.

RAPLOGIA: Quais são suas inspirações, tanto na sua música quanto no seu estilo e vida pessoal?

A: Minha maior inspiração é minha mãe, acho que isso é nítido, mas minhas amigas também são inspiração pra mim, até porque são elas que seguram minhas bordas quando eu dou surtos querendo desistir (sem citar nomes pra não rolar treta depois). Como inspiração musical, eu tenho Queen Latifah, YoYo, Dina Di, Mirapotira, Débora Evequer (minha irmã), Lady Of Hage, Erykah Badu, Dona Kelly, Camila CDD, entre outras que quando tenho bloqueio de criatividade sempre me dão uma força.

RAPLOGIA: Você sempre fala sobre sua mãe e as manas que correm contigo. Qual a importância, no seu ver, das minas se juntarem – principalmente no Hip Hop?

A: União do povo preto é caso de semancol. O sistema nos coloca um contra o outro o tempo todo, e parece que o povo é cego a ponto de não ver que é isso que eles querem de nós.

RAPLOGIA: O que mudou na sua vida depois do lançamento de #RoxoGG?

A: Depois do #RoxoGG eu percebi que mesmo sem estar nos eventos de rap as pessoas me reconhecem, pedem pra tirar foto, me abraçam, contam histórias que são parecidas com as que eu canto no EP, e eu me sinto muito gratificada por isso, porque elas reconhecem que não estão sozinhas, que tem alguém por elas, ali.

RAPLOGIA: Seu EP é bem íntimo, uma visão por completo de ti. Qual a mensagem que tenta passar com seu trampo?

A: REALIDADE! A palavra que resume tudo o que eu faço não só no EP, mas nos outros trampos, é essa.

RAPLOGIA: Você já sofreu algum tipo de assédio machista no meio Hip Hop? Como reage a isso?

A: Desde o primeiro evento de rap que eu fui isso acontece. Não é um fato que se deve acostumar, mas hoje eu trato isso com resposta curta, e se precisar com encurralação a vero. Na verdade, hoje é mais difícil, porque é nítido o meu nojo sobre isso, e porque as pessoas me respeitam muito. E quando rola, a gente resolve rapidinho. Lembrando que nada se resolve com fanfic e textão no Facebook.

RAPLOGIA: Quais seus planos pro futuro?

A: Sobre isso não posso falar muita coisa, né?! Mas tá vindo muita música pesada com artistas pesados, e uma “mixtape mano” maravilhosa ano que vem.

RAPLOGIA: Cite algumas minas do movimento que você acha que sejam estrelas do presente/futuro.

A: Débora Evequer, Tuly, Paloma Leone, Dj Belle,  Clarinha, Said,  e eu, né?!

RAPLOGIA: Deixe uma mensagem pras manas que estão começando a caminha no Hip Hop!

A: Corra atrás, faça por onde. Não ligue para as pessoas que querem te ver parar. Qualquer coisa, liga nós que é aquilo mermo! Axé.

FAÇA OQUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA OQUE EU FAÇO!

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