O vídeo de “Moonlight” de JAY-Z e a diversidade em Hollywood

Desde o lançamento do projeto 4:44, JAY-Z lançou importantes vídeos para os principais singles do disco. Desde a animação “The Story of O.J.” até a paródia recente feita em Moonlight, os visuais lançados pelo rapper tem um principal objetivo: empoderar a comunidade negra norte-americana.

Em um dos mais recentes vídeos, “Moonlight”, JAY-Z traz fantásticos artistas negros para os papéis que fizeram Jennifer Aniston, Matthew Perry, David Schwimmer, Courtney Cox, Matt LeBlanc, e Lisa Kudrow mundialmente famosos. A crítica é mostrada logo no casting: chamar seis atores negros para interpretarem papéis famosos de brancos mostra uma crítica a própria produção da NBC, que raramente colocou negros em cena durante os seus 10 anos de existência.

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A falta de negros em Friends é só a ponta do iceberg de uma realidade geral em Hollywood. O whitewashing é extremamente comum, vide a polêmica #OscarSoWhite de 2016 onde as categorias mais concorridas não tinham a presença de nenhum ator ou atriz negro.

Na edição de 2017 do prêmio da Academia, notou-se uma diferença entre os nomeados a premiações e o melhor de tudo, aos ganhadores. Ganharam prêmios Mahershala Ali por seu papel em “Moonlight” e Viola Davis por “Fences” – Denzel Washington era um dos favoritos ao prêmio de Melhor Ator, mas acabou perdendo para Casey Affleck.

Moonlight

O melhor daquela noite ainda estava por vir, a premiação de Melhor Filme. Warren Beatty e Faye Dunaway anunciaram erroneamente o filme La La Land como ganhador, quando na verdade, tratava-se de Moonlight, filme dirigido por Barry Jenkins (um diretor negro) e estrelado por um elenco 100% negro. E foi graças a esse acontecimento que JAY-Z criou a música “Moonlight”, oitava faixa do 4:44.

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Estamos presos em La La Land/Mesmo quando ganhamos, nós perdemos.” – Jigga traz o acontecimento no Oscar para uma parâmetro muito mais extenso e reflexivo sobre a situação dos negros nos Estados Unidos. JAY-Z também coloca esse comentário em cima da cultura hip-hop nos últimos anos, ao começar a rimar, ele cita o cenário atual do rap onde todos os rappers se parecem, sejam no estilo, no jeito de rimar, ou de se portar.

O vídeo de Moonlight

Em seu vídeo, Moonlight traz uma versão negra de Friends, série que como citei acima, deixa a desejar quando o tema é diversidade. Participam dele os atores Jerrod Carmichael, Lil Rel Howery e Keith Stanfield; além das atrizes Tessa Thompson, Issa Rae e Tiffany Haddish.

Como diretor do vídeo de Moonlight, JAY-Z escolheu Alan Yang, co-criador de Master of None com Aziz Ansari. A série da Netflix está em seu segundo ano e tem como um dos seus grandes trunfos a diversidade – ou seja, essa escolha não foi a toa.

A música realmente fica em segundo plano dentro do visual, sendo que ela nem aparece por completo no vídeo. “Moonlight” recria Friends também como uma crítica ácida que deixa a dúvida: onde está o reconhecimento? Todos os artistas que participaram do vídeo são talentosíssimos e seus projetos mostram extrema qualidade, mas eles não obtêm o reconhecimento que lhes é merecido.

Moonlight

Vejamos por exemplo a estrela do vídeo, Jerrod Carmichael. Ele acabou de encerrar o terceiro ano da sitcom The Carmichael Show na NBC, série criada e escrita por ele. Segundo a crítica, a série só ganhou qualidade através dos anos. Lil Rel Howey é outro ator da série que poucos conhecem, mas faz parte da grade de programação de um dos maiores canais dos Estados Unidos, e simplesmente não recebe o reconhecimento merecido através da sua originalidade e qualidade.

O mesmo acontece com Insecure de Issa Rae, parte da grade da HBO e extremamente elogiada pelos críticos. O seriado simplesmente não acaba sendo visto pelas massas, deixando o talento de Rae subvalorizado.

Mas Moonlight também é uma celebração do talento de cada um que participa desse visual. Desde Carmichael até o “extra” Hannibal Buress, um dos comediantes mais emergentes dos Estados Unidos. Deveríamos estar celebrando essas mesmas pessoas que nos trazem material de qualidade todo ano e além de tudo, elas deveriam ter o espaço que merecem dentro da indústria cinematográfica dos EUA.

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Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.