Qxó solta o verbo: “Não é só botar um verso bom no beat.”

Trocamos uma ideia com o rapper Qxó, que lançou na última sexta-feira o single Essa Vida. A faixa também teve composição de Luccas Carlos e possui mais de 200 mil visualizações no YouTube em menos de uma semana. O clipe é o primeiro trabalho da gravadora Universal Music em parceria com o selo criativo DUTO, localizado em Madureira, no Rio de Janeiro.

Cria do Grajaú, Qxó ressalta com orgulho o fato de todos os artistas do DUTO morarem na zona norte carioca. Ele falou sobre a nova fase de sua carreira, sua amizade com Luccas Carlos e os companheiros Sain e Faruck, do Start Rap, o processo criativo de suas composições e muito mais. Confere aí embaixo o nosso bate-papo, iniciado acidentalmente às 16:20h.

Como é essa nova fase da sua carreira com o DUTO e a Universal Music?

Qxó: Essa parceria não é de hoje. Por mais que a gente venha se mostrando agora, eu e o pessoal do DUTO já estamos juntos há muito tempo, pelo menos uns 3 anos. Então tanto eu quanto o Ramonzin, o Dughettu e a Malia temos nos encontrado com frequência e trocado muita ideia sobre música. E isso só fortalece as nossas raízes, representando Madureira e a Zona Norte como um todo.

Quanto à Universal, acho que não existe ninguém melhor do que o nosso time pra demonstrar a força do gueto na música brasileira.

Como é a sua relação com o Luccas Carlos, que também é artista da Universal ?

Qxó: A minha relação com ele não é muito boa, não. É ótima! Eu amo aquele moleque, ele sempre esteve lá, desde quando o Start precisou. E quando a banda brilhou, ele também tava lá pra fechar com a gente. São 8 anos de amizade no mínimo.

Vai ter som novo com ele? Pensam em tramar alguma coisa?

Qxó: Ele diz que vai lançar uma faixa que tem comigo, mas na real eu ainda não sei. A gente tinha um projeto junto, mas muitas coisas aconteceram nas nossas vidas. O Start deu uma pausa, depois veio a Pirâmide Perdida e o Luccas lançou o Um, daí as coisas esfriaram um pouco. Inclusive, no single Essa Vida, era pro refrão ser do Luccas Carlos, mas nós dois achamos melhor que fosse executado por mim, porque o som era mais parecido com a minha pegada.

Qual a sua expectativa em relação à sua carreira solo? O que o público pode esperar?

Qxó: Eu me sinto como se fosse um jogador do Barcelona. Não vou sair falando bobagens e nem fazer corpo mole. Tenho que ter uma postura profissional e mostrar disposição, porque do contrário eu sei que vou ficar pra trás. Não quero ter nenhuma barreira ou filtro pra mim como artista, mas sei que tudo tem limite.

O público pode esperar sonoridades diferentes do que estavam acostumados. Além do trap, eu gosto muito de jazz, blues e reggae.

Como funciona o seu método de composição? Fala pra gente sobre o seu processo criativo.

Qxó: Eu venho mudando o meu jeito de compor ultimamente. Antes eu parava na esquina, canetava qualquer coisa e tava feito! Hoje em dia, não faço mais isso. Calculo exatamente o que pode ser feito naquela letra, onde minha voz pode ir, o que se encaixa melhor no meu perfil, entre outras coisas.

Tenho ciência de que eu não faço a música só pra mim, outras pessoas vão ouví-la. Agora sou mais paciente na hora de fazer minhas composições.

E os trampos com o Start? Vem disco novo por aí? Tem trocado ideia com o Sain e o Faruck?

Qxó: Pra começar, eu queria dizer que o Start Rap não acabou. Temos um disco pronto, só que ainda não sabemos quando vamos lançar. Tomara que seja em dezembro desse ano, mas eu não posso garantir totalmente. Enquanto isso, a gente vai crescendo em carreira solo, o disco novo do Stephan (Sain) tá pesado demais! Ele e o Faruck são meus irmãos! Faço questão de deixar os dois a par de tudo o que eu tô fazendo.

Durante esse tempo todo sem lançar músicas, como tem sido a sua rotina?

Qxó: Continuei fazendo meus shows pelo Brasil. Inclusive, teve um aqui mesmo em Madureira que foi histórico, arrastei uma multidão pro meio da rua, sensacional! Infelizmente, dou mole demais na minha alimentação, como muita besteira. Quero voltar a fazer jiu-jitsu e treinar com frequência, porque em 5 anos eu já saí umas 6 vezes (risos). Também fiz videoaulas de canto nesse período.

Você acha que os MCs estão mais organizados hoje em dia?

Qxó: Uma grande parte, sim. Ainda tem uma galera desamparada, principalmente na falta de criatividade e de disposição. Não é só botar um verso bom no beat, tá ligado? Tem a ver com a postura da pessoa também. Você precisa mostar para as pessoas que te ouvem e te seguem que você é realmente aquele cara o qual eles se espelham.

Agradecemos a sua participação, Qxó! Pra fechar, você tem algum recado pra mandar pra galera?

Qxó: Convido o pessoal a acessar minha música Essa Vida no Spotify e assistir ao vídeo no VEVO:

VEVO Qxó

Spotify Qxó

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Victor Costa

Jornalista e flamenguista. Fã de Quinto Andar e Sabotage, é um curioso sobre o universo hip-hop.
Escreve a coluna "O Rap pelo mundo" e produz vídeos para o canal do Raplogia.

Victor Costa

Jornalista e flamenguista. Fã de Quinto Andar e Sabotage, é um curioso sobre o universo hip-hop. Escreve a coluna "O Rap pelo mundo" e produz vídeos para o canal do Raplogia.

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