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Raplogia entrevista: Kamau

By 17 de janeiro de 2013 No Comments
(foto: Luringa)

(foto: Luringa)

O Raplogia traz para vocês mais uma entrevista exclusiva. Depois de Evidence, Nitty Scott Mc e Omen, Kamau é o entrevistado do blog. Em um ano que estamos querendo dar maior visibilidade ao Rap Nacional, nada melhor do que começar com uma entrevista com um dos melhores MCs do país. Agradeço ao Kamau e sua assessora de imprensa, a Gisele, pela oportunidade. 2012 foi um ano cheio para Kamau, shows, EP, clipes. O MC trabalhou bastante.

Com mais um trabalho lançado em um ano bissexto, o EP “Entre…” tem como um dos ponto fortes a produção, que tem caras como Renan Samam, André Maini, Nave, Korede, Thew Franklim e StereoDubs. As colaboração são também grandiosas, Di Ferrero, Tulipa Ruiz e Paola Evangelista e Rael da Rima. Além deles, a MC de Detroit, Invicible, participou do remix da música Resistência. O poeta Emerson Alcalde também participa do disco, ele ‘abrilhanta o disco com poesias que funcionam como locução do que acontece na mente de Kamau em “…ENTRE…”.”

Agora vamos a entrevista, e ver o que o “guerreiro silencioso”, Kamau, tem para falar. Espero que apreciem!

1. Você passou quatro anos fora do Rap. O que lhe deu inspiração para soltar o EP “…entre…”?

Não passei 4 anos fora do rap. Lancei o clipe de “Só (Remix)” em 2009, concorri na categoria rap no VMB em 2009 e 2010, fiz várias participações em sons de amigos meus e tenho feito shows desde que o Non Ducor Duco saiu. Eu só ficaria fora do rap se voluntariamente me retirasse e recusasse todos os convites de trabalho. Mas essa é minha vida, não tenho como ficar fora dela. A inspiração pra fazer o “…entre…” veio a partir do que foi acontecendo ao decorrer desses 4 anos. O que foi entrando na minha mente e o que já “habitava” por aqui também. Mas ao invés de colocar isso pro mundo eu convido o mundo a visitar minha mente nesse EP.

2. São 15 anos no jogo. Você acredita que muita coisa mudou na cena no hiato entre Non Ducor Duco e “…Entre…”?

A abertura de lugares pro rap mudou. Vários amigos conquistaram muita coisa não só pra si mas pro rap como um todo. Mas a essência se manteve e temos de trabalhar mais pra que ela se mantenha e não se dilua nessa expansão dos espaços.

3. Conte-nos como foi o processo de produção do EP e quanto tempo durou. Existe algum cantor, rapper ou artista que o influenciou bastante durante a criação de Entre? O que você mais anda ouvindo?

Efetivamente, desde que gravei a primeira rima especificamente pra esse EP, a produção durou cerca de um ano.
Gravei os vocais no André Maini e mixei e masterizei no Atelier Studios, com o Vander Carneiro, que já havia trabalhado comigo no Non Ducor Duco. Mas já estava há um tempo fazendo batidas com o Renan Samam, recebendo outras de algumas pessoas e escrevendo as ideias que apareciam. Minha influência maior foi o rap de Detroit, principalmente em termos de instrumentais. E o Kendrick Lamar que deu o “toque final” ao que eu pensava ao fim desse EP. Ele é o cara que eu mais tenho ouvido ultimamente.

Fãs com faixas durante o show na Praça da República que rendeu o clipe (Eu Quero) Mais (foto: Karu Martins)

Fãs com faixas durante o show na Praça da República que rendeu o clipe (Eu Quero) Mais (foto: Karu Martins)

4. Como você vê o retorno do público sobre o EP? Os shows estão acontecendo como esperado?

O público tem respondido bem, o EP está também em várias listas de “melhores de 2012”. Acho que a resposta tem sido boa e, até então, bem positiva. O alcance ainda está aumentando gradativamente em relação aos shows. E tem muito pra trabalhar ainda.

5. Nos seus novos vídeos, vemos a essência do skateboarding neles. Sabemos que você também anda, mas qual foi a primeira paixão? E qual a maior?

O skate veio primeiro e orientou minha vida dos 12 anos até eu começar a rimar. Mas a música com certeza é a maior paixão no momento. Paixão não, eu digo que é amor mesmo.

6. Você já tem algum outro projeto em mente? O que pode nos dizer dele?

Tenho alguns. E posso dizer que estou trabalhando pra receber os visitantes que estão chegando pelo EP “…entre…”.

7. Non Ducor Duco foi um trabalho bem recebido pela crítica e muito elogiado. Existia algum tipo de pressão interior para superior o disco anterior?

Quando um artista faz um disco ruim fica mais fácil saber o que fazer no próximo. Até porque você já sabe o que não fazer. Mas quando se faz um disco que, além de agradar ao artista, agrada crítica e público, existem dois caminhos a tomar no próximo: repetir a fórmula pra não mexer em time que está ganhando ou reinventar-se sem desprender-se do que o público reconhece. Eu não gosto de repetir nem show, imagina se faria isso com um trabalho como um álbum ou EP, né? Fiz o que quis nesse disco quando encontrei a melhor forma de dizer o que eu queria. E sei que ele não tem nada a ver com o que fiz no Non Ducor Duco e, ao mesmo tempo, é um irmão mais novo e muito parecido com o meu “primogênito”.

8. Temos uma boa safra de novos MCs aparecendo no Brasil. Quem você pode destacar?

Além dos que já tem ótimo destaque posso citar o Amiri, Don L que já não é novo mas agora tem aparecido mais pra mais pessoas, Renan Samam é um ótimo MC além de produtor extraordinário e posso dizer o mesmo do Nave de Curitiba, produtor de vários artistas e integrante do SAVAVE. E tem os que eu já gosto há algum tempo e o pessoal ainda vai ouvir mais: Henrick Fuentes, Stefanie, Rincon Sapiência, Shaw, Elo da Corrente.

Kamau e Renan Samam durante show que rendeu o clipe (Eu Quero) Mais (foto: Karu Martins)

Kamau e Renan Samam durante show que rendeu o clipe (Eu Quero) Mais (foto: Karu Martins)

9. Como bom fã de Rap, sei que você gosta de alguns MCs de fora. Quais são seus favoritos? E o que você achou do ano de 2012 no Rap?

2012 foi um ótimo ano e acho que o principal nome foi o Kendrick Lamar. Esse MC me surpreendeu pelo barulho que fez e pelo ótimo disco sem seguir os padrões comerciais pra fazer sucesso. Nas também veio com um álbum muito bom. Destaco ainda o J. Cole, o Blu, o Fashawn, o Murs, o Evidence do Dilated Peoples, o Jay Electronica. E, claro, Jay-Z, Kanye West, Common, Mos Def, Posdnuos e outros que mantém a classe e o conteúdo há muito tempo.

10. É isso Kamau, agradeço pela oportunidade! Conte com a gente sempre! Noiz.

Obrigado pelo espaço e sejam bem-vindos à minha mente.

Jhonatan Rodrigues

Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.

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