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Raplogia Entrevista: Omen

By 27 de novembro de 2012 No Comments

Hoje, o Raplogia vos traz a segunda entrevista do ano, a terceira com um artista internacional. Como vocês já sabem, em 2011 batemos um papo com o lendário MC do Dilated Peoples, Evidence, e este ano conversamos com a novata Nitty Scott MC…Dessa vez batemos um papo com Omen, um emergente MC de Chicago. Ele lançou o A Glorious Cool, um EP que contém somente batidas de J Dilla. Para baixar clique aqui. Omen falou sobre várias coisas, e foi bastante gentil na entrevista. Abaixo você verá a transcrição da entrevista traduzida, em baixo da tradução, a entrevista será postada em inglês.

Raplogia: 1. Salve Omen, primeiramente um início típico, quero que você se apresente, você tá ligado, seu nome, de onde veio…

Omen: Salve salve! Meu nome é Omen, sou um artista nascido e criado no sul de Chicago.

R: 2. Quando foi seu primeiro contato com o Rap? E quem são suas influencias e músicos favoritos?

O: Meu primeiro contato com o Rap provavelmente veio por meio de meu Tio Mark e meu Primo Patrick. Meu tio era DJ quando eu estava crescendo e ele sempre tocava Rakim, A Tribe Called Quest, Run-DMC e meu primo era fã do MC Eiht, Dr. Dre, Snoop e Bone Thungs ‘N’ Harmony. Sou influenciados por artistas de todo o tipo, de Jay-Z até Tupac, Busta Rhymes, Outkast e até grupos como The Luniz, mas minhas maiores influencias vem de NaS e Commom. Eles sempre foram bons no storytelling e eu peguei isso.

R: 3. Sei que você também é um produtor. O que você gosta mais, produzir ou rimar? E qual veio primeiro?

O: Entre rimar e produzir é difícil dizer qual eu gosto mais, é como se um você sua mãe e outra sua vó. Você ama de todas as formas, mas nenhum é maior que o outro. Comecei a rimar primeiro, pegava beats da internet, porque eu estava quebrado para comprar beats de alguém. E pelo tipo de personalidade que tenho, não queria depender de ninguém, então decidi que iria aprender a fazer batidas. Então comecei no Fruity Loops, meu mano Voli já mexia nele, então o chamei para me dar algumas dicas e ele meio que me ajudou a começar. Então comecei a ficar obcecado por isso, passei um verão fazendo várias batidas por dia ficando até as sete da manhã. Estava viciado em me tornar melhor, e tinha amigos que não tinham medo de dizer se uma batida tinha ficado um lixo ou ficado melhor. Fui capaz de aceitar essas críticas construtivas muito bem.

R: 4. Esse projeto com batidas do J Dilla é foda. Qual sua relação com o trabalho dele?

O: Eu sempre ouvi o Dilla, mas não o conhecia. Foi meu amigo que realmente me botou para dentro disso, me apresentando o Fantastic Vol. 2 do Slum Village, e foi aí que comecei a estudar o Dilla e virar um fã. Tenho cada música, cada disco do Slum Village, cada disco do A Tribe Called Quest, Ruff Draft EP, Donuts, basicamente todo o trabalho dele ao passar dos anos. Lembro de ouvir e aprender certas histórias sobre como ele sampleou alguns trampos. De como ele sampleou Players d Slum Village, eu ouvi a música original e aprendi que eles realmente estavam falando Claire e de como ele teve ouvido para pegar aquela parte específica, cortar, e fazer algo louco disso. Fiquei maravilhado. E pela minha personalidade que era mais madura, suas músicas sempre combinaram comigo. Quando ele faleceu, parecia que alguém que eu conhecia tinha partido, com ele foi o meu sonho de trabalhar com ele. Então fico bem quando as pessoas falam que A Glorious EP fez um trabalho justo. Significa muito.

R: 5. Você já trabalhou com Kendrick Lamar e J.Cole. Qual é seu disco favorito, The Sideline Story ou good kid, m.A.A.d city?

O: Eu não tenho um favorito entre os dois, são bons álbuns, mas de vibes diferentes. Acho que daqui há 10 anos eles significarão muito. Vou dizer que acho Lost Ones uma das melhores músicas que já ouvi. Fico feliz que eles tenham vendido bem, porque é sobre isso que a indústria realmente se importa, então mais artistas de qualidade vendendo bem, mais artistas de qualidade estarão nas rádios, e a indústria vai ter suas fichas apostadas em um cara de real qualidade. É como no início, as fases iniciais das rádios eram equilibradas. O que me inspira sobre esses trabalhos é que me inspira a criar algum muito melhor para competir.

R: 6. E ainda falando sobre eles, como as colaborações aconteceram?

O: As colaborações com J.Cole aconteceram de forma bem legal, estávamos no estúdio e aconteceu. Exceto por The Badness, eu estava em Chicago na época e somos amigos há um bom tempo então ele só me ligou e arranjamos a faixa. Mas, mesmo sendo que tenha sido como Cole em NYC. Sobre Kendrick, eu o conheci um dia em LA no estúdio do NO I.D. e ele falou que era fã de uma música minha e de J.Cole camada Enchanted. Na época eu era muito fã da Overly Dedicated. Então foi respeito mútuo. Quando eu estava escrevendo The Look of Lust eu imaginei que ele se encaixaria perfeitamente com a faixa. E ele foi lá e fez.

R: 7. Quais são seus planos musicais para 2013?

O: Para 2013, vou lançar alguns vídeos do A Glorious Cool EP. Também estou trabalhando em um projeto para ser lançado no ano que vem, e há algumas colaborações que eu gostaria de fazer. Então vamos ver o que vai acontecer, eu tenho muitas músicas que não foram lançadas, então vamos ver o que rolará. Definitivamente acho que 2013 será meu melhor ano, ando falando também com SXSW. Estou ansioso para fazer mais shows.

R: 8. Com quais MCs você gostaria de trabalhar no futuro?

O: Existem muitos. Estou interessado em trabalhar com Ab-Soul, Joey BadAss, Frank Ocean, Jhene Aiko, Schoolboy Q, BJ The Chicago Kid. Um monte de gente também. Mas estes são os primeiros que me vem a mente.

R: 9. Você é um dos melhores MCs que veem de Chicago. O que você acha da cena do Hip Hop lá?

O: Obrigado, aprecio isso. Acho que a cena em Chicago está melhorando, está ficando com mais brilho graças a Chief Keef e todo seu movimento, assim como os outros que estão assinando contratos recentemente. Eu só acho que poderia haver mais equilíbrio. Agora, é o único tipo de som que é falado em Chicago, o que é bom, mas como Chicago é a terceira maior cidade atrás de Los Angeles e New York, então você pode imaginar a diversidade que tem por aqui. Há assim muitas pessoas que não conhecem.

R: 10. A primeira coisa que lembrei quando vi seu nome foi da série de filmes The Omen (A Profecia). Sua alcunha vem do filme? Ou é por causa do significado da palavra?

O: Não! [Risos] Meu nome não tem nada haver com este filme. Então, lamento em desapontar fãs de filme de horror. Omen é um apelido de ensino médio, que eu trouxe para a música. Escolhi o nome para usar na música porque no dicionário significa algo como advertência ou símbolo de mudança. Pode ser bom ou mal, como o yin e yang. E é algo sempre divino, então gostei de colocar na minha música.

R: 11. Qual sua faixa especial do A Glorious Cool EP? Alguma razão especial?

O: Eu realmente não tenho uma favorita para ser honesto. Eu passei por quase 300 batidas do Dilla diferentes tentando escolher quais usar. Foi muito difícil porque Dilla tinha tantas batidas loucas. Agora, minha música favorita do EP é a segunda metade de Thin Air, só porque as palavras eram muito pessoal e eu simplesmente adorei a batida.

R: Obrigado Omen! Esperamos você no Brasil em breve. Paz!

O: Aprecio todos que tomaram esse tempo e me perguntaram todas essa questões. Significa muito. Paz e amor de Chicago, e que eu possa ir ao Brasil em breve. Diga as mulheres daí que eu disse oi.

Check the english version of the interview:

1. Sup Omen. First of all a typical start, I want you to introduce yourself, you know, your name, where you come from…

What up, what up,what up my name is Omen, I’m an artist born and raised on the southside of Chicago.

2. When was your first contact with rap music, who are your influences and your favorite musicians?

My first contact with rap music probably came from being around my Uncle Mark and my Cousin Patrick. My uncle was a DJ when I was growing up and he would always play Rakim, Tribe Called Quest, Run-DMC, and my Cousin was really into MC Eiht, Dr. Dre, Snoop and later Bone Thugs ‘N’ Harmony. I was influenced by all types of artist from Jay-Z to Pac, Busta Rhymes, Outkast and even groups like The Luniz, but my biggest influences came from Nas and Common. They’ve both always been really good at storytelling and I just took to that.

3. I know that you’re a producer too. What you like more, rap or produce tracks? And which came first?

As far as rapping and producing it’s hard to say which I enjoy more, its like one is your mother and one is your grandmother. You love them both in different ways but not where anyone is greater than the other. I started rapping first, I would just steal beats off the internet, because I was too broke to buy a beat from someone. And just because of the kind of personality I have, I don’t like to depend on anyone so I decided I would teach myself how to make beats. So I started on Fruity Loops, my man Voli was already using it so I would call him up for tips and he kind of helped me get started. Then I just really became obsessed with learning it, I spent a summer making countless beats a day staying up until like 7am everyday. I was really addicted to trying to become good. And luckily I had friends that weren’t afraid to tell me when I made a beat that was trash or when I was getting better. And luckily I’ve always been able to take constructive criticism pretty well.

4.This project with all these J Dilla tracks is dope. What is your relationship with his work?

I had been listening to Dilla’s work for forever without knowing it, but when a friend of mine put me onto Slum Village’s Fantastic Vol. 2 album is when I really really started studying Dilla and became a true fan. I got every single beat tape, every slum village album, all the Tribe albums, Ruff Draft EP,Donuts, all of his work basically throughout the years. I remember hearing and learning stories of how he sampled certain joints and just being blown away. Like when he made Players for Slum Village, and I heard the original sample and learned they were actually saying Claire and just how he had the ear to even chop that particular part and make something crazy out of it, I was just really amazed. And because my personality is really mellow, the vibe of his music has always been a perfect match to me. When he passed, it felt like someone I really knew had passed because that was like a dream of mine to work with him. So it feels good to see people saying A Glorious Cool did his work justice. That means a lot.

5.You’ve already worked with Kendrick Lamar and J.Cole. Which album is your favorite: Cole World: The Sideline Story or good kid, m.A.A.d city?

I don’t really have a favorite between the two, they’re both really good albums but different vibes.I think in 10 years, both albums will be really important. I will say I still think Lost Ones is one of the best songs I’ve ever heard.  I’m just glad that they both sold really well, because that’s all the industry truly cares about so the more good artist with quality work actually sell, the more willing the radio and the industry will take chances on real artist and possibly breaking away from just following the same formula. It’s like the early, early stages of the radio getting more balance. The good thing about those albums for me is it inspires me to make my own work that much better to compete.

6.And still talking about both, how these collabs happened?

The collaborations with Cole have all pretty much just been us in the studio and it naturally happening. Except for The Badness, I was in Chicago at the time and we’ve been friends for a long time before all of this so he just hit me one day seeing if I wanted to hop on that one. But, even that was recorded in New York with him there. As far as Kendrick, I met him one day in LA out at NO ID’s studio and I had heard he was a fan of the song me and Cole did called Enchanted. And at the time, I was a big fan of Overly Dedicated. So there was a mutual respect. When I was writing Look of Lust, I just thought he would really fit the record well with his tone and style. And he was down to do it.

7.What are your music plans for 2013?

For 2013, I’m going to be releasing some videos for some songs off A Glorious Cool EP. I’m also working on another project to be released next year, and there are some more collaborations i’m interested in doing that I want to try to make happen. So we’ll see how that goes. I actually have a lot of songs that haven’t been released, so we’ll see what happens. I definitely feel 2013 can easily be my best year yet. I’ve also been talking with SXSW. So, I’m excited about doing more shows.

8.With which MCs you want to work in the future?

There are lot. I’m interested in working with Ab-Soul, Joey BadAss, Frank Ocean, Jhene Aiko, Schoolboy Q, BJ The Chicago Kid. A bunch of others as well, so we’ll see what happens. But, those are the first that come to mind.

9.You are one of the best MCs that came from Chicago. What do you think about the hip hop scene there?

Thank you, I appreciate that. I think the scene in Chicago is getting better. It’s been getting some shine with Chief Keef and his whole movement and a lot of people here have been getting deals lately. I just think there could be more of a balance. Right now, its only one type of sound getting noticed in Chicago, which is still good but with Chicago being like the 3rd largest city behind New York and Los Angeles, you can imagine the type of diversity that really exist here. There’s so much more people don’t know about.

10. The first thing that I remember when I heard about you, was in the movie “The Omen”. Your rap name came from the movie? Or it’s just because of the meaning of the word?

No! Haha, my name has Nothing to do with that movie. So I’m sorry to disappoint any horror movie fans. Omen is a high school nickname, that I carried into music. But, I chose the name in music because of what it really means in the dictionary which is just like a forewarning or a symbol of change. It could be good or bad, like yin and yang. And it’s always something divine, so I liked attaching myself and my music to something that meant a sign of change.

11. What is your favorite music from A Glorious Cool EP? Any special reason?

I don’t really have a favorite to be honest. I went through almost 300 different Dilla beats trying to choose which ones to use. It was really hard because Dilla had so many crazy beats. Right now, my favorite song from the EP is the second half of Thin Air, just because the words were really personal and I just loved that beat.
Thank you Omen! We hope you in Brazil soon as possible. Peace out!!
I appreciate you all wanting to take the time out and ask me these questions. It means a lot. Peace and love from Chicago, and hopefully I can come to Brazil soon. Tell the women there I said hello.

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Jhonatan Rodrigues

Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.

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