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Raplogia Entrevista: Papatinho

By 16 de maio de 2013 No Comments

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O Raplogia presenteia os leitores com mais uma entrevista. Dessa vez nosso entrevistado é o produtor Papatinho, conhecido pelo seu trabalho com o grupo Cone Crew Diretoria. Papatinho falou muito de suas inspirações musicais, o trabalho no grupo, e o cenário. Essa é a primeira de uma série de entrevistas que o Raplogia está fazendo, algumas com rappers de nome no cenário internacional. É só esperar, torcer, e mandar boas vibrações que traremos mais e mais novidades para vocês.

Leia abaixo a entrevista, e comente tudo que que você achou.

1. Primeiramente, salve Papatinho, obrigado pro estar falando aqui para o Raplogia. Normalmente começamos perguntando para nossos entrevistados, sobre como foi o primeiro contato no Rap. Então, qual foi o seu?
O primeiro contato como ouvinte foi nos anos 90, quando eu era menor, através da fita do Gabriel O Pensador, de 93 se eu não me engano, e os sons lá de fora, como Tupac Shakur, Notorious B.I.G, e Bone Thugs que já rolavam no meu quarto, meu irmão mais velho ouvia e eu dividia o quarto com ele. Em 2002 mais ou menos eu descobri Quinto Andar, Black Alien & Speed, entre outros e passei a acompanhar a cena carioca underground, e fiquei viciado de vez em Rap.Em 2005-2006 comecei a frequentar a Lapa semanalmente onde rolavam as tradicionais batalhas de mc’s (Batalha do Real), ia com os meus amigos que estavam começando a rimar (Rany Money, Cert, Maomé, Batoré e Ari), resolvi começar a fazer beats pra tirar aquelas letras do papel, depois que gravamos algumas músicas o grupo se consolidou , demos o nome de ConeCrewDiretoria e nunca mais paramos.

2. O disco Com os Neurônios Evoluindo definitivamente mostrou o grupo, e principalmente você, para o cenário do Rap aqui no Brasil, como foi o processo de produção desse disco? e quais foram as inspirações?
Eu usei samples de diversos estilos musicais, samba, jazz, blues, rock, mpb, trilhas sonoras de filmes, e ficamos 2 anos selecionando beats e letras…Tudo de maneira independente ainda com poucos shows na época era dificil pagar estúdio, mas conseguimos tudo graças a Deus.

3. Sobre as suas produções, ocorreu alguma mudança desde o primeiro trabalho da Cone Crew até esse novo trabalho?
Ocorreu uma evolução natural devido a dedicação diária e a preocupação que tenho sempre em não só evoluir, mas me manter atualizado. Sou meio obsecado e viciado no meu trabalho, as vezes acho que exagero, tenho muita coisa guardada que ninguém ouviu porque sou muito detalhista e raramente finalizo uma batida 100%. A maioria das vezes só termino quando ouço algum verso e lembro que ela pode servir pra ele..Eu vou nos meus arquivos de “rascunhos” e encontro o beat ideal pra cada situação e a partir daí trabalho em cima dele.

4. Era esperado o tamanho sucesso do grupo? E o que você acha da sua vida hoje, fazendo uma reflexão, o que mudou?
Sempre acreditei no sucesso do meu grupo, mas não imaginava a proporção que poderia chegar, achava que poderiamos chegar até a Lapa e sermos reconhecidos pela galera do Rap, e hoje somos conhecidos pelo povão, de qualquer idade e classe social. É muito maneiro ver que gente por toda parte segue a gente e acompanha nosso trabalho, com certeza isso nos motiva pra evoluir e continuar…A minha vida hoje é dedicada ao Rap, além das viagens semanais pra shows com o meu grupo, nos dias de folgas estou sempre tentando produzir alguma coisa nova.

5. Existem algumas críticas ao som que vocês fazem, mesmo ganhando destaque na cena e se consolidando como um dos principais grupos de rap do momento. Como vocês lidam com isso?
Acredito que pelos temas e letras que eles escrevem sempre teve uma parte que se sentiu ofendida, mas justamente essa disposição de botar a cara pra falar desses assuntos que foi um dos motivos que fez o grupo vingar, na minha opinião. A gente lida de forma natural, desde o início de carreira tivemos inúmeros shows cortados devido ao conteudo das letras e também pelo comportamento da galera.. Foi dificil ser aceito…Imagina só, uma banda independente formada por amigos e rodeada de malucos, iamos pra estrada aceitando qualquer coisa pra tocar e divulgar nosso som…Era churrasquinho de espeto pra alimentação e quarto dos fundos da casa dos outros pra estadia, e tudo parecia ser comum, pois eramos totalmente inexperientes…Passamos por momentos dificeis pra chegar onde estamos. Coisas que só quem estava presente sabe…

6. Recentemente você trabalhou com Shawlin no álbum dele, como está sendo esse reconhecimento pelos outros rappers brasileiros?
Muito maneiro, na verdade sempre fui fã desses artistas que produzi paralelo ao trabalho com a Cone Crew. E hoje poder tá fazendo parte da história deles é muito gratificante. De um tempo pra cá meus ídolos viraram meus amigos, e em 2012 além do Shaw produzi faixas pro Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Black Alien entre outros…

7. Se existe alguma faixa que tocou bastante no último ano, foi ‘Chama Os Mulekes’. A música me chamou muita atenção pelo instrumental. Como foi a produção da faixa?
Foi normal pra mim como qualquer outra, sempre to pesquisando samples e volta e meia sai um beat novo.Nessa época (2010) tava focado na produção do CD da Cone e saiu esse beat, sabia que tinha potencial pra ser um hit, mas tudo veio de forma natural, o refrão desse som nem existia e em uma apresentação que fizemos no dia da final da Copa do Mundo de 2010 junto com os Racionais Mc’s no Rio de Janeiro o show estava vazio e acabou ficando com um clima de ensaio…haha..Eu soltei o beat quase inédito pros muleques rimarem qualquer coisa ao vivo, o Rany Money começou a repetir o trecho “E chama o Cert , Ari, Papato…”.Achamos incansável, ele poderia repetir aquilo durante 5 minutos que daria certo..haha…Foi quando resolvemos usar isso para o refrão.

8.Recentemente vocês lançaram os vídeos de Chama Os Mulekes e Chefe de Quadrilha. Ambos os clipes contêm uma história por trás. Existe alguma inspiração pra esse tipo de vídeo?
Ficamos tanto tempo pra lançar um clipe oficial que quando chegou a hora de lançar não queria que fosse de qualquer jeito.

9. Nós do blog cobrimos e muito o Rap norte-americano. De lá, quem você acompanha?
Gosto muito de vários estilos diferentes, desde Slum Village a French Montana, porém um dos novos que mais me chamou atenção é o Kendrick Lamar. Na parte da produção continuo muito fã de Kanye West e achei o disco Watch the Throne dele com o Jay-Z foda. Gosto também dos beats de Black Milk e é claro dos clássicos do Dre.

Abaixo o vídeo de Pra Minha Mãe, lançada recentemente em homenagem ao dia das mães e fará parte do próximo disco do grupo, assim como o som Chefe de Quadrilha.

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Jhonatan Rodrigues

Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.

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