Revelação do underground carioca, Ami$h aposta em estética inovadora

Natural de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Victor Vergeti, também conhecido como Ami$h é um rapper que foge do padrão estético de um MC. Aos 32 anos, ele é membro do grupo Fruto do Caos, dos coletivos Covil Flow  e Família Erva Doce (FED), este último que também conta com Ghetto ZN como um dos integrantes.

Lançou sua primeira mixtape em setembro deste ano, intitulada Alter Ego, e planeja soltar o segundo trabalho musical já no ano que vem.  Ami$h encontrou na crença dos cristãos anabatistas um conceito visual que permeia seus videoclipes, mas alerta que não faz parte da religião.

“Não sou de fato Amish. Porém venho de uma família bem religiosa e inclusive já fui da Igreja, tive um grupo de jovens onde discutíamos a Bíblia e tudo mais. O nome surgiu inesperadamente, eu estava fazendo o frei na peça Romeu e Julieta, logo estava com a barba enorme e comprei um chapéu de judeu para compor o personagem no meu dia a dia. Resolvi começar a ir nas rodas de rap e em eventos de amigos com o chapéu. Nas rodas de freestyle a galera começou a me chamar de judeu, rabino e Amish. E aquilo foi me popularizando no meio da galera”

Com destaque para as produções de Ogrowbeats e Be Ibeas, além da parceria com Babi Guinle,  o rapper “novato” demonstra preocupação com a musicalidade e preza por belas produções audiovisuais, na contramão do ideal anabatista de não cultuar imagens.

“Vi que muitos Amishs rebeldes têm fugido do meio, que não possui nenhum tipo de tecnologia nem nada, para correr atrás de outras coisas. E quando você foge da tribo, você é proibido de voltar e é considerado um bandido. Achei isso interessante e escolhi o Amish por causa disso e por considerar o Rap um instrumento de rebeldia artística. Na prática eu sou uma figura religiosa rebelde e fazer o que um Amish não pode fazer é o legal da coisa.”

Facebook Comments

Victor Costa

Jornalista e flamenguista. Fã de Quinto Andar e Sabotage, é um curioso sobre o universo hip-hop. Escreve a coluna "O Rap pelo mundo" e produz vídeos para o canal do Raplogia.