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Com livros de Marx e cordão de ouro, Diomedes Chinaski assume a linha de frente

By 13 de novembro de 2018 No Comments

O rapper nascido em Paulista (PE) é um dos mais indignados com a situação política atual do Brasil e frequentemente diz que apoiadores de Jair Bolsonaro não são bem-vindos em seus shows ou redes sociais. O engajamento é tão intenso que em setembro o rapper lançou Disscanse em Paz, canção que se opõe às idéias propagadas pelo presidente eleito.

“Acho triste alguém ouvir música negra e apoiar um cara defensor de políticas que matam a juventude negra e pobre deste país, é uma contradição muito triste. Acredito num Brasil caótico e fascista a partir do ano que vem.”

Diomedes Chinaski tem vocação combativa e determinação suficiente para levantar bandeiras políticas com sua arte sem perder credibilidade, conforme já evidenciado na mixtape Comunista Rico. Quando fala de projetos sociais relacionados à cultura, não hesita em elogiar o ex-presidente Lula e critica fortemente a democracia brasileira, para ele inexistente.

“Existem projetos no Brasil todo, o governo Lula foi o que mais investiu nisso, só que a corrupção sistêmica atrapalha o funcionamento deste país. Não acredito na democracia como caminho para uma mudança, apenas uma transformação radical, violenta e inteligente pode mudar o cenário.”

Seu projeto mais recente é uma mistura de trap, funk, brega e manguebeat, com destaque para a faixa-título Comunista Rico e Camisa 10, que ganharam videoclipes produzidos impecavelmente pela Balcão Filmes. Ambas as canções exprimem o conceito da mixtape de buscar grandes conquistas e obter riqueza material, mas sem esquecer de honrar suas origens.

A obra tem diversas participações, tanto de intérpretes quanto de produtores musicais. As vozes de Coruja BC1, Djonga, Don L, Felp22 (Cacife Clandestino), Jovem Esco, Luiz Lins, Makalister, Nego Max, A Orquestra Imaginária, Raffa Moreira, Síntese e Zaca de Chagas complementaram o disco com maestria. O time de beatmakers é composto por Dario Beats, HTTP, JNR Beats, Luiz Lins, M2K, Makalister, Mazilli, A Orquestra Imaginária, Will Diamond e Willsbife. A mixagem e masterização foram realizadas por Locaut.

De Recife para São Paulo,  onde mora atualmente, o novo momento artístico marca um Chinaski que saiu da PE Squad e agora trabalha com a Aqualtune Produções, liderada por Tássia Seabra e Lenne Ferreira. Os próximos capítulos da saga do Aprendiz prometem surpresas animadoras aos fãs.

“Pretendo lançar um álbum no fim do ano ou no começo do ano que vem. Eu vim de baixo, não posso me dar a luxo de dar descanso a esses rappers da minha geração. E a única forma que posso competir com eles é através de projetos sólidos”.

Diomedes Chinaski é o nome artístico de João Victor de Souza Passos. A alcunha é uma fusão de dois personagens literários: Diomedes, criado por Lourenço Mutarelli, e Henry Chinaski, protagonista de diversos romances do escritor Charles Bukowski. O rapper tornou-se conhecido nacionalmente após o lançamento de “Sulicídio”, música produzida em conjunto com Baco Exu do Blues, Mazilli e Sly. Experiente no cenário do hip-hop, começou a caminhada em 2009 com o coletivo Chave Mestra.

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Victor Costa

Victor Costa

Jornalista e flamenguista. Fã de Quinto Andar e Sabotage, é um curioso sobre o universo hip-hop. Escreve a coluna "O Rap pelo mundo" e produz vídeos para o canal do Raplogia.

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