10 Projetos Inesquecíveis do Hip Hop Underground

O termo hip hop underground é bastante usado pelos fãs de rap para definir artistas e gravadoras que não contam com o apoio de grandes corporações. Para fãs mais ferrenhos, o termo mostra também projetos “muito melhores” do que o que usualmente saem no mainstream do cenário.

Gravadoras do hip hop underground

Gravadoras que são grandes exemplos dentro do hip hop underground são: Hieroglyphics Imperium Recordings, Rhymesayers Entertainment, Rawkus Records Strange Music, Babygrande Records, Mello Music Group, Nature Sounds e a conhecidíssima Stones Throw Records. A falta de apoio de algumas dessas gravadoras, fizeram muitas delas terem um longo caminho trilhado até se estabilizarem no cenário na década passada. Outras trouxeram grandes artistas e ganharam fama cult entre os fãs do Rap, como é o caso da Stones Throw, que lançou projetos de artistas como J Dilla, MF DOOM, Madlib, entre outros.

Para muitos, o hip hop underground significa a raiz viva do “faça você mesmo” dentro do cenário. Gravadoras e rappers se esforçam para ver os trabalhos saírem de maneira que os ouvintes sejam impactados de alguma forma.

Juntamos os 10 trabalhos do hip hop underground que tiveram um grande impacto na história do rap e falamos um pouco sobre cada um. A ideia é falar de projetos que saíram por gravadoras sem uma grande subsidiária e que impactaram de alguma forma o cenário quando foram lançados.


10. Blu & Exile – Below the Heavens

A dupla que movimentou o hip hop underground no meio da década passada voltou com um novo projeto, lançado na semana passada. Blu e Exile pareciam que nunca mais voltariam a gravar juntos, ainda mais devido aos problemas de saúde vividos pelo primeiro nos anos anteriores.

Em 2007, os artistas de Los Angeles se uniram para gravar Below the Heavens, um dos projetos mais reconhecidos na última década. O estilo de produção de Exile lembra muito o de J Dilla, e o então jovem Blu, traz uma profundidade dificilmente vista na mente de um rapaz de 22 anos.

Blu & Exile deveriam fazer mais projetos juntos, pois tratam-se de uma das duplas com mais químicas do rap.

9. Hieroglyphics – 3rd Eye Vision

O primeiro lançamento conjunto do coletivo Hieroglyphics data de 1998. 3rd Eye Vision é uma obra de arte do cenário do hip hop underground.

Esse disco é a melhor definição possível da expressão “do it yourself (faça você mesmo)“. Com diversos produtores da casa, o projeto saiu pela própria gravadora do grupo, a Hieroglyphics Imperium Recordings. 3rd Eye Vision é marcante até hoje pela sua produção atemporal e a habilidade líria dos membros, que abordam diversos assuntos.

A criatividade transborda no projeto que apresentou mundialmente a grande mente de Del the Funky Homosaphien.

8. Jaylib – Champion Sound

Madlib é conhecido por fazer inúmeras parcerias com outros artistas de extrema qualidade do hip hop underground, entre eles, J Dilla. No início dos anos 2000, os dois produtores fecharam uma parceria que virou nada mais do que o projeto Jaylib, que em 2003 lançou o disco Champion Sound.

Champion Sound é extremamente reconhecido pelo público pela sua musicalidade, afinal, são dois dos grandes produtores do hip-hop. Madlib e Jay Dee porém, trazem rimas nesse trabalho. Lançado pela Stones Throw, o disco traz clássicos como “McNasty Filth” e “Starz“.

7. Jedi Mind Tricks – Violent By Design

Nada mais hardcore do que Jedi Mind Tricks. O grupo da Filadélfia formado por Vinnie Paz, Stoupe the Enemy of Mankind e DJ Kwestion é um dos mais importantes do hip hop underground.

O JMT iniciou carreira em 1993, mas o primeiro disco veio apenas em 1997. O segundo foi Violent By Design, de 2000, e que figura entre os mais importantes do cenário do hip hop underground.

Violent By Design é pesado desde a capa, que traz uma foto real de um soldado americano chamando por um médico durante a Batalha de Dak To, um dos combates travados durante a sanguinária Guerra do Vietnã.

Lançado pela Superegular Records, o projeto é bastante sério e repleto de paranoia e visões ideológicas do grupo. A produção de Stoupe the Enemy of Mankind é obscura e combina bastante com os assuntos falados no disco, dando uma sensação bastante perturbadora e pesada.

6. Deltron3030 – Deltron3030 

Você conhece Del the Funky Homosaphien pelo o quê ele fez através de carreira solo e do grupo Hieroglyphics, certo? Em 2000, o rapper de Oakland formou junto ao produtor Dan the Automator e o DJ Kid Koala o trio Deltron 3030.

O grupo se juntou inicialmente para fazer um projeto conceitual chamado também Deltron 3030, trazendo uma espécie de rap opera situada no futuro distópico de 3030. Del é Deltron Zero, um desiludido soldado interplanetário e prodígio em computadores se rebelando contra a Nova Ordem do século 31. O disco narra batalhas de Deltron Zero sobre instrumentais densos e futuristas criados pelo subestimado Dan the Automator.

O disco mostra a tremenda criatividade que os artistas do hip hop underground mostram em suas obras, preocupadas 100% em trazer algo novo para o público.

5. MF Doom – Operation: Doomsday 

MF DOOM é certamente um dos nomes mais respeitados do hip hop underground. Nascido em Londres, mas radicado em Long Island, MF DOOM começou sua carreira como Zev Love X nos anos 80 com o grupo KMD, anos depois ele se tornaria o mascarado DOOM.

O primeiro disco solo do rapper é um tremendo clássico, Operation: Doomsday, lançado em Abril de 1999 pela Fondle ‘Em Records de Bobbito Garcia.

Repleto de samples, o projeto trouxe ao mundo a figura de MF DOOM e todas as suas referências – que vão de Scooby-Doo até Isaac Hayes. Talentosíssimo na construção de suas rimas, ele não precisa de tantas participações, pois consegue levar o disco sozinho. Algumas das participações do trabalho são alter egos do próprio artista.

4. Mos Def & Talib Kweli – Mos Def & Talib Kweli Are Black Star 

Lançado pela Rawkus, o infame disco de Mos Def e Talib Kweli é um dos grandes clássicos do hip hop underground até hoje, inspirando inúmeros outros artistas e fãs ao redor do mundo.

A lírica do disco é profunda. Os rappers refletem sobre o fascínio do hip-hop com a morte, citando os ainda recentes assassinatos de Tupac e Notorious B.I.G., dois dos maiores artistas do cenário na época. Também passamos por reflexões sociais e homenagens a mulher negra em músicas extremamente empoderadas como “Brown-Skin Lady“.

Hi-Tek é um dos principais produtores do disco, junto a Talib Kweli, eles formam o Reflection Eternal, outro ato de extrema qualidade da Rawkus. Com Weldon Irvine abrindo o disco, notamos facilmente a inspiração de Mos Def, Talib e Hi-Tek no jazz.

3. Company Flow – Funcrusher Plus

Muito antes de virar metade do Run The Jewels, El-P tinha uma carreira muito bem construída no hip hop underground, principalmente devido seu trabalho à frente do grupo Company Flow.

O grupo foi um dos primeiros grandes sucessos da Rawkus, gravadora fundada por Brian Brater e Jarret Myer, com o aporte financeiro de James Murdoch, herdeiro da Fox. O Company Flow já tinha um projeto na rua, o EP Funcrusher, que saiu pela Official Recordings. Através da Rawkus, eles lançaram o Funcrusher Plus, considerado um dos grandes clássicos do hip hop underground.

Através de revistas e sites especializados, Funcrusher Plus levou inúmeras notas máximas. A produção de El-P foi extremamente elogiada devido ao seu estilo experimental, repetido bastante em The Cold Vein, do grupo Cannibal Ox.

O álbum está na lista de melhores dos anos noventa em diversas publicações. É muita moral, afinal, os anos 90 tiveram inúmeras obras-primas.

2. Cannibal Ox – The Cold Vein

A segunda posição pertence a outra dupla, Cannibal Ox, essa não tão conhecida pelo público maior, mas extremamente respeitada no cenário do hip hop underground.

Formada por Vast Aire e Vordul Mega, os caras começaram os corres em 1998, sendo alguns dos primeiros artistas da gravadora Definitive Jux, do produtor EL-P.

Em 2001, eles estrearam com o disco The Cold Vein, reconhecido como um dos melhores discos independentes do hip hop – algumas listas os colocam no top 20 de maiores discos da história.

Na época, foi feita uma comparação leve com o estilo do Wu-Tang no início da carreira, conhecido como 36 Chambers era (em alusão ao disco de estreia do grupo). Segundo os críticos, Vast e Vordul pintaram um retrato vívido sobre uma Nova York em crise.

1. Madvillain – Madvillainy

Impossível não falar do hip hop underground e não citar dois nomes: MF DOOM e Madlib. O melhor de tudo é quando os dois se juntam para virar Madvillain, uma das duplas mais aclamadas do cenário e que em 2004 lançaram o ótimo Madvillainy pela Stones Throw Records.

Nós já falamos do Madvillainy aqui no site e do significado dele para muitos de nós. O disco gravado entre os anos de 2002 e 2004 em estúdios na Califórnia e na Georgia abalou as estruturas do cenário, mesmo sendo lançado de forma independente.

São letras extremamente bem estruturadas por parte de MF DOOM e instrumentais icônicos por parte de Madlib. A combinação perfeita teve um disco de remixes lançados em 2008, mas nunca uma sequência oficial – ainda.

Abaixo, confira o vídeo animado de “All Caps“, um dos singles do disco:

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Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.