Lançamento de EP e paixões além da música: Raplogia entrevista Juyè

21 anos, paraense, porém criada no Rio de Janeiro e com uma voz suave que encanta qualquer um. Sim, estamos falando da Juyè.

De 2016 para cá a cantora apareceu em diferentes trabalhos, como as cyphers “Poucos Vão Entender” da 1Kilo Records e “Poesia Acústica #1 – Descompasso do Compasso” da Pineapple Suply – BrainStorm, além do seu clipe “Alma (Gave you my love) ”e do perfil “Ego”, também da Pineapple.   Misturando Rap e RnB, Juyè tem conquistado cada vez mais espaço, mostrando toda a sua identidade musical na cena.

Confere aí a ideia que trocamos com ela sobre o lançamento do seu EP, paixões além da música e a importância da união das mulheres no Hip Hop:

Raplogia: Qual a sua trajetória na música e como chegou até o Rap? O que fez você se apaixonar pelo Hip Hop e pelo Rap em especial?

Juyè: Então, eu comecei a cantar bem cedo. Vim do Samba, com 11/12 anos eu já cantava em roda de Samba no Rio. Sempre fui muito envergonhada, inclusive é por esse motivo que eu estou sempre sorrindo nos clipes, rs. Então eu parei de cantar e fiquei só trabalhando na composição, compus pra muita gente da MPB e do Samba. Trabalhei para grandes artistas que hoje fazem parte do que eu represento na música. Costumo dizer que a “Juyè” tem um pouco de cada um deles, desde a composição até o meu cantar. Eu fiz 6/7 anos de canto e piano no conservatório de música do RJ, lá eu me aprofundei em cada estilo musical e foi no Hip Hop que eu me encontrei de verdade. Comecei a estudar os grandes nomes da cena de todos os países e a filtrar o máximo de ensinamento que eu pude.

Raplogia: Quais são suas influências? Tanto nacionais quanto internacionais?

Juyè: São tantas, rs. Nem sei por onde começar! Mc Lyte, primeira mulher a lançar um álbum completo de Rap. Salt-N-Pepa, Queen Latifah, Lauryn Hill, Missy Elliot, Aaliyah, TLC… Negra Li, Jean Tassy, Flora Mattos, Drik Barbosa, Clara Lima, Stephani, Criolo, Emicida, Coruja BC1, BK, Djonga, Mc Sid, Chris Mc, Choice…

Raplogia: O que mudou na sua vida após a parceria com a Pineapple?

Juyè: A Pineapple definitivamente acrescentou muito na minha vida e na minha carreira. A Pineapple é definitivamente a gravadora mais completa da atual cena, e fico muito feliz em fazer parte desse time agora. O que mais amo na galera de lá é a paciência que eles têm, são super fofos e de uma genialidade admirável. Agradeço muito ao Lucas Malak e ao Slim pela parceria.

Raplogia: Conte três curiosidades sobre você.

Juyè: Eu trabalho com produção de cerveja artesanal. Adoro jogar dota. E eu já raspei a minha cabeça na máquina 0 para doar cabelo para uma menina que conheci fazendo trabalho voluntário no INCA, foi uma experiência única.

Raplogia: Quais são suas paixões, além da música?

Juyè: Cerveja Artesanal, amo trabalhar nessa área. Adoro pescar, amo ficar o máximo de tempo que eu posso isolada na natureza.

Raplogia: Já sofreu algum tipo de preconceito/assédio por ser mulher no movimento Hip Hop? Como lida com isso?

Juyè: Lógico que sempre tem algum pra criticar a falar umas baboseiras, mas nada que saia muito do controle. O importante é sempre manter a cabeça erguida e batalhar pelo o que tu acreditas, sabe?! Eu vejo muitos fãs me defendendo e brigando com quem me critica. Sempre respondo: “galera, não briguem com os coleguinhas. Cada um tem livre arbítrio de gostar e desgostar da parada”.

Raplogia: Em sua opinião, qual a importância da união das mulheres no movimento? Como você, enquanto artista busca fazer isso?

Juyè: Eu acho extremamente importante essa união da cena feminina no Rap. E que todas nós possamos encorajar as minas que estão começando. Não tem essa de que “mulher não sabe fazer Rap”. É importante reforçar pra essa nova geração que o mundo precisa evoluir nesse quesito! E eu sempre que posso defendo com unhas e dentes os nossos direitos. Tanto no dia a dia, quanto em minhas composições.

Raplogia: Qual conselho/recado você dá para as mulheres que estão começando agora?

Juyè: Coloquem seus trampos na rua, corram atrás dos seus sonhos e metam a cara pra parada acontecer. Não tenham medo, esqueçam da insegurança! Eu sei que é difícil, mas não é impossível. Nós temos e devemos ter mais espaço na cena. E eu tô sempre aberta pra qualquer mina que quiser fazer um trampo, caso precise de beat ou até mesmo estúdio pra gravar. Acho que juntas somos mais fortes e o que eu puder fazer pra ajudar, cês podem ter certeza que eu farei.

Raplogia: Ainda nessa pegada de visibilidade pras minas, cite algumas artistas do movimento que você admira.

Juyè: Livia Cruz, Leticia Picolo, Drika Barbosa, Bivolt, Stephani, Clara Lima, Lili, Azzy, Negra Li, Flora Mattos, Mariana Mello, Cynthia Luz, Bruna Muniz, Issa Paz, Sara Donato, Souto MC…

Raplogia: Você tem grande influência indígena. Como procura inserir essa influência no seu trabalho?

Juyè: Eu sempre irei defender a minha etnia em tudo que faço, tenho muito orgulho de ser índia, paraense e nortista. Do mais, em ser brasileira. Valorizo muito a minha cultura e tô trazendo muito dela no meu EP.

Raplogia: Você pode nos adiantar algumas informações sobre o seu EP? Qual a principal mensagem que pretende passar com ele?

Juyè: Ah, como eu estou animada,rs. O “Canções de Chaveirinho” será dividido em dois volumes. O primeiro sai esse ano ainda e o segundo já está sendo gravado também. O álbum está sendo construído com muita cautela e abordando temas que a galera não dá muito importância… Eu atendi aos pedidos da galera e estudei muito pra conseguir fazer speed/freestyle. A diferença entre o vol. 1 e o vol. 2 é gigante. Convidei algumas pessoas da cena e eles se jogaram nas minhas ideias loucas. Está ficando irado, a BrainStorm abraçou o projeto e tá deixando tudo muito fino.

Raplogia: Quais são os seus planos para o futuro?

Juyè: Como eu sempre digo nas minhas musicas, eu gosto mesmo é de seguir na contramão. Eu gosto de poder ousar, de trazer o diferente pra cena e mostrar que se você quiser, pode dar certo. O mundo dá voltas certeiras e ainda bem que a galera que trabalha comigo e me produz pensa igual a mim. Sairão alguns clipes e alguns projetos paralelos. Não me prendi em fazer som somente com a galera do Rap, eu vou lançar alguns trabalhos com grandes nomes do Samba também. Tô botando todo mundo pra fazer Rap e quebrando essa parada de que o diferente não pode te surpreender.

 

 

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