Raplogia Entrevista: Rakaa (Iriscience) do Dilated Peoples

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Em 2011 o Raplogia fez a sua primeira entrevista. Conseguimos um papo via email com o rapper do Dilated Peoples e lenda do Rap, Evidence. Hoje, quase dois anos depois, entrevistamos Rakaa, também conhecido como Iriscience, a outra parte do Dilated Peoples.

Também de Los Angeles, o rapper de flow agressivo, assim como Evidence, mostra maestria nas rimas e muita inteligência. É uma das duas vozes do grupo Dilated Peoples, que prepara o quinto disco de estúdio, Directors of Photography, para 12 de Agosto. Rakaa pode não ser tão conhecido, mas não deixa de ser uma lenda. Essa é mais uma das entrevistas internacionais, espero que vocês gostem, e fiquem ligados pois aí vem muito mais.

1. Salve, Rakaa. A primeira pergunta é típica em nossas entrevistas: quando foi o seu primeiro contato com o Rap? E quais são suas principais influências?

Paz. Meu primeiro contato com o Rap foi com a minha irmã fingindo que sua escova era um microfone, para ela cantar Rapper’s Delight. É uma breve memória, mas ainda posso lembrar disso. Eu não sabia que tinha uma cultura e um gênero todo associado com isso até eu ver e escutar o Run DMC. Eu os entendi. Eu tenho muitas influencias musicais para mencionar. Run DMC, BDP, Public Enemy, Beastie Boys, Big Daddy Kane, Kool G Rap, LL Cool J, NWA, Cypress Hill, Freestyle Fellowship… Caramba… Too Short, definitivamente Rakim, EPMD, Fishbone, Bad Brains, John Coltrane, Sun Ra, Hendrix, Bob Marley, King Tubby… Motown… Vou parar por aqui. Eu fui influenciado pelo brilho, e abençoado por ser exposto a isso.

2. Evidence nos disse que encontrou você pela primeira vez fazendo graffiti no Motor Yard. Você continua em contato com a arte?

Sim, nos conhecemos no Motor Yard, no Oeste de L.A. Eu continuo com o contato com a arte e com muitos artistas. Mas não venho fazendo nada há certo tempo. Sinto falta. Eu venho fazendo uns rabiscos de novo, então vamos ver. O nível de qualidade ao redor do mundo é muito grande, e eu gosto de ver artistas ganhando reconhecimento por seu talento e fazendo sua vida com o que amam. No entanto, eu não gosto da atitude de julgamento de alguns novos artistas “hipsters” sobre o tradicional e a arte.

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3. Em 2010, você lançou seu primeiro projeto solo. Crown of Thorns é ótimo. Você pretende lançar outro projeto solo? E o que é melhor, soltar um projeto solo ou um projeto em grupo?

Obrigado. Eu fico feliz que você tenha ouvido e teve a chance de absorvê-lo. Eu não me vejo fazendo outro disco solo no momento – embora sempre há uma chance de que isso possa acontecer, mas eu definitivamente me vejo fazendo algum único trabalho solo com pessoas criativas. Discos solo e em grupo são animais diferentes, mas é um lançamento, e é uma explosão de qualquer maneira.

4. O que você pode nos contar sobre o projeto Directors of Photography?

A parada está FODA. Louca. Nos esforçamos ao máximo e extrapolamos limites. É um álbum muito deliberado. Cada palavra, cada nota, está lá de propósito. Esse é o meu disco favorito do grupo desde Expansion Team… talvez o meu favorito entre todos. Estamos definitivamente mais afiados do que nunca.

5. Já se fazendo quase dez anos do último projeto do Dilated Peoples. O que há de novo no grupo? Podemos esperar algo similar ou diferente de outros projetos já lançados pelo grupo?

Continuamos sendo o que somos. Fizemos mais coisas solo e individuais, que traz energia e experiência para o grupo. Não fazemos coisas tipo reciclar, requentar, ou fazer coisas old school para mostrar o quão real somos. Apenas fazemos música honesta, armada e preparada para a guerra. Não temos de mudar, apenas temos de continuar quem somos e crescer como pessoas e artistas.

6. Esse novo som do Dilated Peoples é incrível. Como foi trabalhar com o DJ Premier? Podemos esperar mais sons do grupo com o Preemo?

Obrigado!  Nós trabalhamos com Premier no estúdio, e em turnê. Ele é nosso irmão. Sempre cuidou de nós. RIP Guru. Gangstarr sempre mostrou amor. E nós cuidamos deles também. Apenas amor. Esse é o único projeto com Preemo no disco, mas tenho certeza que o futuro mostrará mais oportunidades.

7. Existe algum rapper que você está acompanhando ultimamente?

Acabei de ler uma história sobre uma ovelha na Turquia e caiu de um penhasco e morreu, outras 1,500 ovelhas calmamente seguiram ela. Não pararam. Não olharam. Apenas seguiram e 450 morreram. Dito isso, estou ciente de caras como o meu irmãozinho Fashawn,  Joey Bada$$ e Pro Era, Aston Matthews, Vince Staples, Rebel Diaz, Dumbfoundead, Dialect & Despair entre outros. A cena de battle-Rap está muito séria também.

8. Dilated Peoples veio ao Brasil um tempo atrás. Como foi a visita? Você tem algum contato com a música daqui? E existe alguma chances de voltarem?

Fizemos um show em São Paulo em 2010. Louco. Grande noite, grande público. Eu conheço o Emicida e o Kamau, mas eu sou mais de sair por aí ouvindo Astrud Gilberto ou até mesmo Sepultura. Cena forte. Eu estou ansioso para voltar, e já existe conversas para isso acontecer em breve. Treinei na Gracie Jiu Jitsu por muitos anos, então eu tenho uma conexão grande com o Brasil.

9. Você trabalhou com inúmeros produtores em sua carreira. Qual o seu favorito?

Hmmmm… Provavelmente The Alchemist. Sempre uma grande vibe e grandes resultados. Família de verdade. Existe um forte respeito e apreciação mútua entre nós, e também muita diversão. Babu e eu trabalhamos bem também. Ev e eu trabalhamos bem quando estamos na mesma página. Não é sempre o caso, mas o respeito mútuo sempre está lá.

10. Provavelmente você ouve isso direto, mas vamos a mais importante pergunta: o que é melhor, ganhar grana ou mulheres? Brincadeira, Rakaa! Eu quero agradecer você pela oportunidade, é uma grande coisa para nós. Se você quiser, pode deixar uma mensagem para os fãs.

Fico feliz que estejas brincando. Decisão difícil! Hahahahahaha. Para os fãs eu gostaria de dizer, “muito obrigado!” Muito obrigado pelo apoio contínuo. Sentimos isso, e apreciamos. Amor.

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Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.