Salve, galera!

Continuando a série Birth to Infinity, eu trago aqui os meus trabalhos favoritos desde o ano de meu nascimento, 1994. Gostaria de ter nascido anos antes para adicionar trampos como os três primeiros discos do ATCQ, do Ice Cube, ou algum disco de Eric B. e Rakim! Mas aqui vamos com meus trabalhos favoritos:

[1994] Nas – Illmatic

O Nas é o meu rapper favorito. Illmatic, pra mim, é o maior disco de rap da história – falo isso com certo clubismo. Mesmo assim, acho o disco de rap perfeito: não é tão longo, tem um super time de produtores e o Nas rima sozinho, tendo todo o espaço para falar o que precisa. Desde 2012, quando eu escrevia para o Rapevolusom, eu faço questão de falar sobre esse disco com matérias especiais todo ano. Illmatic merece ser estudado.

Menção Honrosa: The Notorious B.I.G.Ready to Die

[1995] Mobb Deep – The Infamous

Assim como o Marco disse em seu Birth to Infinity, o Queens é o bairro com mais clássicos do rap! O trampo do Mobb Deep é extremamente sombrio e tem um storytelling fino. Diferente de Illmatic, esse trampo da dupla é um pouco mais longo e tem participações, mas são colaborações extremamente pontuais que mostram como um disco deve ser conciso. Shook Ones Pt .2 é um dos maiores sons da história.

[1996] 2Pac – All Eyez On Me

Curiosamente, esse foi um dos últimos discos que eu ouvi do Tupac – comecei pelo Me Against the World. Esse trampo tem uma das maiores produções que eu já vi, cortesia em grande parte de Johnny J. Além disso, aqui, temos um Pac faminto por sangue: ele tinha recém-saído da cadeia e estava atirando para todos os lados. All Eyez on Me é um trampo bastante paranoico, na minha opinião, mas é incrível.

Menção Honrosa: JAY-ZReasonable Doubt

[1997] The Notorious B.I.G. – Life After Death

Biggie evoluiu bastante do primeiro disco para o segundo, Life After Death. Sua narrativa está perfeita nesse trabalho, é muito mais sombrio que o primeiro e eu noto um rapper mais afinado em suas rimas. Além disso, a evolução no quesito produção desse projeto é imensa.

Com Ready to Die e Life After Death, para mim, Biggie teve uma das maiores discografias da história do rap – sem contar álbuns elaborados após a morte do rapper.

Menção Honrosa: Wu-Tang ClanWu-Tang Forever

[1998] DMX – It’s Dark and Hell Is Hot

Ninguém foi melhor em 1998 do que DMX. O rapper tomou o cenário para si naquele ano, e se tornou um dos maiores artistas do final da década de noventa. Ele já era conhecido nos circuitos underground naquele ano, mas o seu disco mostraria tamanha a ferocidade do rapper.

Naquele ano foram dois grandes discos – o outro foi Flesh of My Flesh, Blood of My Blood – mas é It’s Dark and Hell is Hot que eu destaco. O disco traz um clima extremamente sombrio, que em diversos momentos, parece que estamos em um filme de John Carpenter sendo perseguidos por um maníaco armado, só que nesse caso, ele segura um microfone. É rap na sua mais pura – e agressiva – forma.

[1999] Mos Def – Black on the Both Sides

Ele já tinha quebrado tudo em 1998 com Talib Kweli, mas um ano depois com seu disco solo, ele mostraria o motivo de muitos considerarem um dos melhores que já tocaram no microfone. Black on Both Sides é um clássico tremendo por diversos motivos: rapper extremamente afiado, produção maravilhosa com nomes como DJ Premier, Diamond D, Ayatollah88-Keys.

Existem alguns clássicos isolados no trabalho como Mrs. Fat Booty e Mathematics, mas o projeto funciona muito melhor quando você para e ouve ele por completo.

[2000] Ghostface Killah – Supreme Clientele

GFK tomou o posto de meu membro favorito do Wu-Tang quando eu parei para ouvir sua discografia solo. Eu postei aqui anos atrás que o rapper tinha uma das carreiras mais consolidadas fora do grupo, e continuo com esse pensamento. Ele tem mais de um clássico como artista solo e não parou de ter se consolidado no cenário.

Esse disco foi muito melhor desenvolvido do que o primeiro disco do Ghost, Iron Man, de 1996. O rapper passava por uma espécie de transformação na vida, e escreveu grande parte do trabalho em uma viagem para a África. Evolução total de um rapper que nunca foi o mais famoso do Wu-Tang.

[2001] Nas – Stillmatic

Depois de dois discos desastrosos, Nas voltaria a sua antiga forma nesse trabalho. Eu sempre gostei de rappers de Nova York, como vocês podem perceber por essa lista, e esse é um dos discos mais nova-iorquinos da história. Nas traz um feeling que vai além da quebrada do Queens e faz você pensar sobre muito mais.

É uma boa maneira de voltar a boa forma. Além de tudo, aqui temos o ápice da treta entre o rapper e Jay-Z. Puro fogo!

[2002] Clipse – Lord Willin’

Um dos meus discos favoritos de todos os tempos. Esse trampo é extremamente importante para mim como fã de rap, e “entendedor” do assunto. Foi um dos primeiros projetos que comecei a estudar a fundo, afinal, as rimas de Pusha T e Malice combinadas com as batidas dos Neptunes não deixam ninguém parado.

Para mim, o disco é um clássico e é um dos melhores projetos da última década.

Menção Honrosa: Scarface – The Fix

[2003] JAY-Z – The Black Album

Esse deveria ser o último disco do Jigga, sendo que o rapper anunciou The Black Album dessa forma. Ele voltaria três anos depois para o rap com Kingdom Come, disco que particularmente eu não tenho nenhum apreço. Mas quando se trata do disco de 2003, eu só tenho elogios, afinal, trata-se de JAY-Z em um dos melhores momentos da sua carreira e com uma das maiores produções que ele já teve em um álbum.

The Black Album é bastante poderoso. Jay é afinado nas rimas e as produções encaixam em seus flows perfeitamente. Destaque aqui vai para os instrumentais de Kanye, Pharrell, Timbaland e 9th Wonder. Coisa fina.

[2004] Kanye West – The College Dropout

I miss the old Kanye. Pra caramba. Quando ele apareceu na cena, não tinha ninguém que conseguia traduzir a finesse dos seus samples em rimas. Ele nunca foi um cara extremamente estruturado em rimas, mas Kanye sempre rimou bem.

The College Dropout é o meu segundo disco favorito do rapper. Gosto da maneira que Kanye se retrata aqui: como um jovem com grandes aspirações, sem imaginar o fenômeno que iria se tornar anos depois.

O disco é rico, e Kanye é extremamente humilde e sagaz nas rimas. Volta, Ye!

Menção Honrosa: Parteum – Raciocínio Quebrado

[2005] Kamau – Sinopse

Se teve algo que ficou repetindo nos meus fones por muito tempo, foi Sinopse. O trampo do Kamau feito em 2005 é um clássico e em minha opinião é extremamente atual em seus assuntos. Gosto bastante das rimas do Kamau, que vão das mais simples até as mais estruturadas.

Além disso, Sinopse traz produções repletas de samples e muito bem trabalhadas. “Rimas“, “Viagem na Rima“, “Me Diz“, “É Ela“, “Numtointendendu” e “Poesia de Concreto” são maravilhosas.

[2006] Ghostface Killah – Fishscale 

GFK em Fishscale é a melhor definição de mafioso rap que eu já ouvi. O rapper é cinemático nas letras do disco, contando histórias sobre as ruas e traçando paralelos com sua vida nas quebradas.

Fishscale é o melhor disco de Ghost desde Supreme Clientele, de 2000. Entre os dois, é bem difícil escolher um favorito, sendo que dessa vez nas produções, o rapper tem nomes como MF DOOM, Pete Rock e J Dilla. São discos extremamente bem trabalhados como esse que colocam Ghostface como um dos meus rappers favoritos de todos os tempos.

Menção Honrosa: Clipse – Hell Hath No Fury

[2007] Evidence – The Weatherman LP

Sempre fui fã do rap de Los Angeles, seja mainstream ou o underground. Dilated Peoples foi um dos primeiros grupos que eu tive conexão total, e quando eu comecei a explorar o trabalho solo do Evidence, eu encontrei apenas jóias.

Conheci The Weatherman LP uns dois anos depois dele ser lançado, e foi paixão ao primeiro play. Trabalho extremamente conciso de EV, que traz muitos beats de outro cara que eu gosto muito, The Alchemist. Pouco tempo depois desse trabalho, no primeiro ano do Raplogia e prestes ao lançamento de Cats & Dogs, eu consegui entrevistar o Evidence para o site.

Nada melhor para um fã de Evidence e do Dilated Peoples.

[2008] Lil’ Wayne – Tha Carter III

Sempre curti o mainstream e o independente ao mesmo tempo, o novo e o antigo – mas sempre preferindo o old school. Wayne era um rapper que eu gostava bastante no final da década passada pelo poder do cara fazer hits e pelo meu amor pelo rap do sul dos EUA.

O trabalho dele pré-TC3 é bastante coeso, e aqui, ele senta no trono do rap sem ninguém para tirá-lo naquele ano. Se você ouvir a discografia do rapper até esse trabalho, irá ouvir grandes momentos e irá se perguntar o que houve com ele!

Weezy nunca será o mesmo, mas pelo menos ele nos deixou Tha Carter 3.

[2009] R.A. The Rugged Man – Legendary Classics Volume 1

Esse trampo eu encontrei naqueles fóruns do leste europeu que traziam diversos downloads de rap. Eu conhecia o nome do R.A. The Rugged Man pela treta dele com gravadoras, mas o que mais me chamou atenção nessa compilação foi a capa.

Dando play e depois indo atrás do que realmente tratava-se Legendary Classics, descobri que era uma compilação dos melhores sons do rapper. Muito ouro dentro desse projeto, como músicas com Biggie, Havoc, Sadat X e muito mais. R.A. tem um dos melhores flows do rap, não tem pra ninguém quando ele resolve rimar extremamente rápido – é só ouvir Uncommon Valor.

[2010] Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Esse é o meu disco favorito de Kanye West. Se The College Dropout traz um Kanye mais simples e lutando para conseguir atrás de suas aspirações, aqui temos um Kanye realizado e lutando contra demônios internos causados pela fama.

Acredito que esse é um dos melhores trabalhos de hip-hop da história por seu trabalho introspectivo e também pela produção, que é cheia de detalhes que você pode perceber só na décima quinta audição. Foi aqui que Yeezy se consagrou como um dos grandes nomes do rap, pelo menos ao meu consentimento.

[2011] Evidence – Cats & Dogs

Foi no calor do lançamento de Cats & Dogs que eu consegui entrevistar Evidence, maior honra que tive com o Raplogia até hoje. Esse disco significa muito para mim devido esse momento, mas também pela sua qualidade.

Em 2011, eu ouvia muito old school hip-hop, e ver novos trabalhos com essa pegada noventista foi bem bacana para mim. Evidence mais uma vez está muito bem nas rimas, conseguindo ser introspectivo e expansivo ao mesmo tempo, falando sobre vários assuntos.

Menção Honrosa: Freddie Gibbs and Statik Selektah –  Lord Giveth, Lord Taketh Away

[2012] Kendrick Lamar – Good Kid, Maad City

Fui bastante resistente com o Kendrick no começo da carreira dele – fui ouvir Section.80 apenas próximo ao lançamento de GKMC. De início o disco não me pegou muito, mas com o passar do tempo, se tornou bastante presente em meus fones.

Kendrick é um exemplo perfeito da cultura hip-hop na costa oeste dos Estados Unidos. É a personificação do gangsta rap que eu tanto gosto, só que nos dias atuais, porém, muito mais talentoso. Ele merece todo o sucesso que tem. O disco é importantíssimo para a cultura.

[2013] Ghostface Killah – Twelve Reasons to Die

Esse ano foi um dos anos que eu mais consumi discos de rap. Eu ouvia de tudo, de todas as épocas e todo santo dia. Algo que sempre gostei dentro do rap foi a arte de contar histórias, que eu valorizo sempre quando ouço um disco, e para mim, um dos mestres dessa arte se chama Ghostface Killah.

GFK está bem presente nessa minha lista – e vai aparecer mais – por motivos simples: ele é um dos meus rappers favoritos. Mas também é um dos caras mais talentosos do cenário quando o negócio é contar histórias. Em Twelve Reasons to Die, temos a primeira parte de uma história muito intrigante e bacana que mistura muita cultura pop (referências de filmes, HQs, música) com o bom e velho jeito Wu-Tang de fazer rimas. E o melhor de tudo: rimas de Ghost sobre instrumentais finos de Adrian Younge.

[2014] Freddie Gibbs & Madlib – Piñata

Considero Freddie Gibbs um grande expoente de uma geração que despontou no final de 2009, e com Piñata ele fez um dos trabalhos mais consistentes que eu já ouvi na última década. Madlib e Gibbs formam uma das duplas mais perfeitas no hip-hop. O rapper contribui com rimas muito boas enquanto o Madlib… bem, é o Madlib!

Foi uma das grandes esperar para mim no ano de 2014, que teve ótimos lançamentos pesadíssimos.

Menção: Ghostface Killah – 36 Seasons

[2015] Ghostface Killah – Sour Soul 

GFK novamente! GFK sempre!

Esse disco é mais experimental, feito com os canadenses do BadBadNotGood, tem uma pegada super jazz com músicas bastante cruas e curtas. Ghost está mais uma vez contando histórias incríveis em seu, até agora, penúltimo projeto lançado – no mesmo ano o rapper lançaria a segunda edição de Twelve Reasons to Die.

Menção Honrosa: Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly

[2016] A Tribe Called Quest – We Got It from Here… Thank You 4 Your Service

Sempre fui fã do trabalho do ATCQ. Quando comecei a ouvir rap mais afundo, o grupo foi um dos primeiros que eu baixei a discografia para estudar. Os três primeiros discos do grupo são, para mim, alguns dos melhores discos de rap da história. Em pouco tempo, o Tribe evoluiu de uma maneira incrível e todos os três projetos influenciaram uma legião de diferentes rappers.

Depois que o Phife morreu, eu queria muito vê-los juntos novamente por uma última vez. Eu acredito que esse projeto é uma grande “passagem de bastão” para uma nova geração de rappers que estava chegando – e inclusive participando do disco.

[2017] Kendrick Lamar – DAMN.

Eu gosto mais da musicalidade do TPAB, mas esse projeto é Kendrick com o lirismo no auge (até agora). Qualidade musical, visual e responsabilidade social nas letras, é um disco perfeito que eu sempre preciso ouvir.

Me anima saber que Kendrick Lamar ainda é um cara que tem muito para nos dar musicalmente, e DAMN. só eleva minhas expectativas para o próximo disco do rapper de Los Angeles. Kendrick é o cara!

[2018] Pusha T – DAYTONA

O ano ainda não acabou e essa posição pode mudar, mas para mim, não teve ninguém melhor do que Pusha T em 2018. Desde a disstrack para Drake até o disco DAYTONA, o rapper se destacou e mostrou mais uma vez que o Clipse é um evento marcante, mas distante da carreira dele. O Pusha T solo tem capacidade de lançar projetos incríveis.

DAYTONA é bastante coeso, tanto nas rimas quanto nas produções – Mr. West fez um baita trabalho!

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Jhonatan Rodrigues

Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011. Ex-escritor do Rapevolusom e ex-Genius Brasil. Me encontre no Twitter falando sobre rap: @JhonatanakaJoe

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