Pouco mais de um ano sem lançamentos foi o bastante para os fãs de Marcão Baixada ficarem com saudade. Mas a espera acabou! No último dia 30, Marcão soltou o single “Baixada”, acompanhado de um videoclipe incrível e sujo, adjetivos que estão sempre ao lado do artista da baixada fluminense.

Fazendo 10 anos de carreira em 2019, Marcão ainda está só começando e cheio de fôlego. Com seu dialeto e ginga quase únicas, o rapper tem alguns trabalhos lançados que marcaram a cena do TRAP nacional, como “Vermelho Outono”, “Bastidores de uma vida aleatória” e tantos outros singles que mexeram com o movimento do rap no Brasil.

“Baixada” foi produzido de ponta a ponta pelo próprio Marcão, com o clipe ficando por conta de Higor Cabral. Imagens de shows do artista se fundem com trechos da Via Dutra, estrada que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, passando pela amada Baixada retratada pelo rapper.

Aproveitei o lançamento de seu novo som para trocar uma ideia com meu xará, por telefone, e o resultado vocês podem conferir abaixo. Enquanto isso, vai sacando o que “Baixada” trouxe pra gente.

Raplogia: “Baixada” é um dos primeiros singles lançados após você completar 10 anos de carreira. Como é estar em plena forma após todos esses anos de rap? O que ainda te motiva?

Marcão: Cara, comecei bem novo, né? Com 15 anos peguei no mic pela primeira vez pra cantar um som meu.
Tive contato com tanto artista foda logo no início, mas tudo sempre no calor do momento, saca? Eu era só um menor que queria aprender as paradas. Demorei pra processar e entender certos contextos em que eu tava inserido e como isso influenciou pra ser quem eu sou hoje. Então acho que agora é que eu tô entrando em forma de fato e isso é o que tem me motivado; de achar que depois desses anos todos, agora é que realmente tô pronto pra desenvolver uma identidade pro meu som.

Você sempre representou o rio de janeiro e, principalmente, a baixada Fluminense em seus trabalhos. O que mudou na região nesses 10 anos? Seja no rap ou na sociedade como um todo

Tanta coisa! Pra bem e pra mal. Rolou uma democratização do acesso à certas paradas, só que ainda a passos curtos, né? E na mesma proporção, a violência aumentou pra caralho; fora o aumento do nível da pobreza e sucateamento da saúde e educação. Já no Rap, as rodas de rima foram um divisor de águas pra gente formar nosso público. O que rolava antes é que a gente se deslocava pro eixo Centro-Zona Sul pra ser visto e desenvolver nosso trabalho. Ainda é assim, se considerarmos que é aonde a renda tá concentrada, mas pelo menos hoje tem uma galera da própria área abraçando nossas ideias.

Seus clipes tem uma mescla de vivência de rua com uma linguagem bem atual e moderna, remetendo aos vídeos feitos fora do país. Como funciona o processo criativo entre você e sua equipe? O que te inspira na criação desses visuais?

Cara, é um processo muito louco pra nós, porque nada é tão dirigido e roteirizado como aparenta. É muito espontâneo, mas filmado com uma sensibilidade e um olhar muito próprios. O Higor e a Camila (da produtora rolo B) vieram da escola de filmar casamento, onde tem que ter um feeling e um timing fodido, porque não dá pra mandar a noiva voltar e entrar de novo porque a câmera não focou, tá ligado? (risos).

E tipo, eles estão comigo desde o meu primeiro clipe! Evoluímos juntos em cada trampo que fizemos e sem contar que hoje eles se tornaram referência e muita gente do Rap na Baixada procura eles pra trampar. Isso ajuda a fazer a grana circular entre nós, tá ligado? Baixada money! Tem muita coisa que nos inspira, mano, mas acho que a nossa vivência por si só já é uma puta d’uma inspiração que se reflete na linguagem dos vídeos. Eu particularmente piro muito no filme “Cidade Deus”, por exemplo.

 

Marcão Baixada @ Créditos Camila Guimarães

 

O que mais me chama atenção, não só em “Baixada” como em vários dos seus trabalhos, é a forma como você une rap, funk e um dialeto bem carioca, de forma sutil e direta. O Rio tem sido o grande foco do rap nos últimos anos, então, você acredita que essa linguagem e modo de ser de vocês vão ditar o futuro e as novas cenas do rap nacional?

Já ditou, né? (risos). Rolaram 2 lances que colocaram isso em evidência. O primeiro foi quando o Ret lançou o “Vivaz”, mano. Isso derrubou alguns dos muros que existem entre o Rap brasileiro e as favelas do Rio. O que chegava nos cria era Racionais, Bill (MV), D2 (Marcelo) e Gabriel (O Pensador). Se tu era de alguma favela ou periferia daqui e ouvia outros rappers além desses, no mínimo você já tinha alguma formação dentro do Hip Hop ou acesso à informação e inclusão digital mínimos pra olhar pra além desse plano. O Ret fez essa ponte, tá ligado?

E logo depois veio o Néctar que contribuiu com a vertente da moda, também e com isso, em 2015 pra 2016 o Rio conseguiu exportar uma nova forma de pensar e vestir o Rap BR. Agora tamo vendo um outro bonde que já tá trazendo outra cara pro bagulho, aqui na Baixada tem os moleques da Garage Gan; o Meno Tody tá com o street hit de 2019, o Brasil Grime Show tá aí chegando com uma parada nova. Então acaba que os olhos e ouvidos ficam atentos pra saber o que o RJ vai dropar na sequência.

 

Por fim, deixa um salve pro Raplogia, para seus fãs e use esse espaço pra deixar sua mensagem, novos projetos e o que podemos esperar de você pro futuro.

O Raplogia é um dos portais que mais leio, porque tá sempre trazendo um conteúdo pra além da notícia. Quero agradecer pelo espaço e por somarem com a nossa cena. Quero agradecer também ao selo e agência Mondé, que vem dando um suporte incrível na direção musical das minhas músicas novas. A ideia é manter o ritmo de lançamentos e entregar algo bacana que agregue valor pro meu trabalho e pra minha área. Fé na Baixada!

 

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Marco Aurélio

Marco Aurélio

Fotografo shows sujos onde frequento, escrevo rimas que nunca vou lançar e faço pautas sobre coisas que vocês (ainda) não conhecem.

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