Salve, leitores do Raplogia!

No nosso 4º post da série “Birth to Infinity”, convidamos a Ana Rosa, colunista do site Noticiário Periférico e ativa na cena do RAP do interior paulista.

Vamos conferir a lista dela?

Eu sou um bebê, então minha lista é pequena e boa parte do que eu consumo veio antes de mim, ou quando eu ouvia Xuxa e não rap. É muito difícil listar discos, sempre vai ficar alguém de fora, porque nosso gosto musical é maravilhoso. Tentei trazer discos importantes pra mim, e  não repetir das listas postadas pra poder me ajudar a decidir qual escolher também hahahahha

 

[1994] Champ MC – Ghetto Flava

Champ MC – Ghetto Flava

Champ MC – Ghetto Flava

Bom, começando com mulheres gangstas que meteram o pé na porta de tudo. Essa Champ MC foi parte do grupo Deadly Venoms, que foi um dos vários grupos apadrinhados pelo Wu-Tang – esse era considerado o grupo feminino deles. Formado por ela, N-Tyce, J-Boo, Finesse e a Lin Que. Ela só lançou esse álbum, que além das músicas, eu gosto muito da capa, ela toda de preto, parece desafiar a gente a ouvir.

 

[1995] Mad Lion – Real Ting

Mad Lion - Real Ting

Mad Lion – Real Ting

Mad Lion é a mais. Ele é a mistura do reggae com o rap. Com a voz marcante, ele criou um flow impossível de não reconhecer. O nome Mad Lion é um acrônimo para “Musical Assassin Delivering Lyrical Intelligence Over Nations” que segundo a tradução mais boroca do mundo, quer dizer algo como um músico assassino que está abençoando as nações com sua inteligência lírica. Pra quem gosta de estilos jamaicanos, acredito  que esse álbum tem muito a oferecer. Além de ter algumas faixas produzidas pelo mestre KRS-One.

 

[1996] Busta Rhymes – The Coming

Busta Rhymes - The Coming

Busta Rhymes – The Coming

Mano, 96 foi um ano muito a mais, teve De La Soul, Bahamadia, The Roots, poderia listar um disco por dia só de 96, mas vamos lá. Escolhi esse, porque o Busta é um cara incrível, o domínio de palco dele é sensacional. Esse é o primeiro álbum dele, como ex-líder do New School. Conta com participações como Redman, Keith Murray, membros do Def Squad, Q-Tip, entre outros. Tem produção de muitos produtores e equipes de produção famosas como DJ Scratch, Easy Mo Bee e The Ummah. Ouçam Keep It Movin’.

 

[1997] RPW – Está na Área

RPW - Está na Área

RPW – Está na Área

RPW ESTÁ NA ÁREA, JÁ ERA DE SE ESPERAR. ENQUANTOS UNS PULAM DO PALCO, OUTROS COMEÇAM A EMPURRAR!

Acho que esse CDé um marco na história do Rap Nacional. Até então estávamos acompanhando um estilo aparecendo, outro ganhando força, mas RPW apareceu de forma muito original. Rúbia, W-Yo e DJ Paul, contribuíram demais para a cultura Hip Hop. Num crossover de rap com rock, trazido principalmente pelo W-Yo, eles foram pioneiros, senão, peça importante, para o que consideramos como bate cabeça nacional.

 

[1998] Souls of Mischief – Focus

Souls of Mischief - Focus

Souls of Mischief – Focusq

Formado em 1991, em Oakland, Califórnia, o grupo é composto por Opio, A-Plus, Phesto e Tajai. Apesar de serem mais conhecidos pelo  ‘93 Til’ Infinity, esse é o terceiro lançamento de estúdio deles, e eu acho importante por ser o primeiro lançamento do selo independente Hieroglyphics Imperium Recordings, fundada pelo Hieroglyphics, que é importante demais no cenário independente, tem uma lista muito boa de lançamentos pra quem curte.

 

[1999]  Jigaboo – As Aparências Enganam

Jigaboo - As Aparências Enganam

Jigaboo – As Aparências Enganam

Esse disco é maravilhoso, até pelas histórias que carrega consigo. Esse é o disco de estreia, do grupo formado por P.MC, Suave e Deco Murphy. O disco teve produção do Rick Bonadio, e concorreu ao VMB no ano seguinte.

Em 1997, P.MC entrou em contato com as unidades da FEBEM e fez apresentações, de onde surgiu a ideia de reunir alguns adolescentes para compor uma música. Foi criado então o Projeto Realidade e deste trabalho surgiu a canção “Realidade”, presente neste álbum.Foi composta conjuntamente entre o Jigaboo e 42 adolescentes das unidades do Complexo do Tatuapé.

IH! FERROU, CONSERVADOR SEM ATITUDE, QUERENDO ENTENDE A CABEÇA DA JUVENTUDE, FALA PRA ESSE CARA QUE EU SOU DO JIGABOO!

Procurem: Saïan Supa Crew – KLR (Francês)

 

[2000] Sabotage – Rap É Compromisso!

Sabotage - Rap É Compromisso!

Sabotage – Rap É Compromisso!

Sabotage não disse tudo que tinha pra dizer, mas com certeza tudo que disse ficou gravado na eternidade. Suas idéias ainda nos iluminam e cada faixa desse álbum é um clássico, que o Rap seja compromisso como ecoava a faixa. Sabota era uma figura única, e nesse álbum ele conseguiu quebrar o cárater de “monstrão” que o rap tinha como um todo. Ele trouxe mistura de gêneros, como o som Cantando pro santo, mas principalmente por ser um manifesto cultural, sem ter o lance do uma gota de sangue em cada verso.

 

[2001] Esquadrão Zona Norte – Epidemia

Esquadrão Zona Norte - Epidemia

Esquadrão Zona Norte – Epidemia

ESQUADRÃO EM AÇÃO, EXPLOSÃO,  SE JOGA NO CHÃO!

Rap carioca, do final dos anos 90, formado por J.C, Doug-D, Slow e DJ Brankynho. Esse disco é marcado pela batida pesada com o uso de metáforas, figuras de linguagem e forte influência das bancas americanas de rap dessa época. Epidemia conta com as participações de Mahal, Marcelo D2, Damien Seth, Shackal, Mistério, Dom Negrone e Aori.

 

[2002] People Under the Stairs- O.S.T.

People Under the Stairs- O.S.T.

People Under the Stairs- O.S.T.

Pela própria definição do encarte, o bom e velho Hip Hop. Embora nem essa lista seja homogênea nos estilos e formas de se fazer rap, existe o fato de você ouvir e falar “caramba!”. Grooves profundos, mc simples, nesse terceiro álbum, O.S.T., não traz nenhuma inovação ou quebra de paradigma, mas consegue mostrar a força do rap direto e objetivo.

 

[2003] Gang Starr -The Ownerz

Gang Starr -The Ownerz

Gang Starr -The Ownerz

Formado pelo saudoso DJ Premier e a voz hipnótica de Guru, Gang Starr traz toda sua influência do jazz e soul dos anos 70, e trazem essa mistura de músicas negras de uma forma única. As músicas geralmente apresentam samples de jazz, ou referências. Esse disco tem participação pra caramba, destaco Snoop Dogg, Jadakiss e M.O.P. Em sons que falam desde as pressões da vida, até narrativas autobiográficas, é um disco que merece destaque.

 

[2004] Jean Grae – This Week

Underground de Nova York, de imensa qualidade.  Jean Grae é filha do pianista de jazz sul-africano Abdullah Ibrahim, e traz muito dessa qualidade no trabalho dela. Apesar de eu achar as composições um pouco longe de uma certa realidade e até um pouco confusa de se apresentar, são bons sons, com boas produções.

 

[2005] Dexter – Exilado Sim, Preso Não

Dexter - Exilado Sim, Preso Não

Dexter – Exilado Sim, Preso Não

O primeiro álbum do Dexter no estudio, sem ser 509-E. Esse álbum fala muito sobre ser forte, sobre reconsiderar o caminho tomado e pensar nas consequências. Eu particularmente gosto muito do Dexter, desde os trabalhos com o Tribunal Popular. Apesar de ainda ser a mesma temática de outros trabalhos, é um marco na vida dele, e acredito que dialoga com milhares de pessoas.

 

[2006] Rua de Baixo – Envelhecido 13 Anos

Rua de Baixo - Envelhecido 13 Anos

Rua de Baixo – Envelhecido 13 Anos

SE O HIP HOP É UM MONSTRO, EU SOU UM TENTÁCULO, ARTICULADO E DIRECIONADO, CUMPRINDO A MINHA META, QUE NEM O MUÇULMANO EM DIREÇÃO A MECA!

Esse é um dos grandes clássicos do rap underground nacional. Formado por Espião e DJ Duenssa. O álbum foi lançado em 2006, mas boa parte dos sons que o compõem já estavam na rua há um tempo. O nome se dá pelo álbum ser um conjunto das produções do duo em 13 anos de carreira. Ouçam porque é disco obrigatório no vestibular underground.

 

[2007] Consequence – Don’t Quit Your Day Job!

Consequence - Don't Quit Your Day Job!

Consequence – Don’t Quit Your Day Job!

Consequence é do Queens, o terreno mais abençoado do Hip Hop. Ele é primo do Q-Tip, o que o aproximou do ATCQ e o fez aparecer no álbum Beats, Rhymes e Life, em  96. Lançou também algumas mixtapes, mas só em 2007 ele lançou esse álbum pela produtora do Kanye West, GOOD Music. Gosto do estilo dele, gosto da produção do disco.

 

[2008] Kamau – Non Ducor Duco

Kamau - Non Ducor Duco

Kamau – Non Ducor Duco

Esse é meu álbum nacional preferido, porque ele é meu material de apoio pra viver. Esse ano completou 10 anos, e ainda parece que o Kamau me enxerga caminhando e narra minha  vida! É um disco que eu mais uso muito pra drenar a mente, e creio que é um sentimento recíproco entre muitas pessoas. É muito importante pelo cuidado da mensagem passada, fora que têm produções, participações e letras impecáveis. Non Ducor Duco é do latim, não sou conduzido, conduzo, e também é lema da cidade de São Paulo. Isso diz muito sobre o disco, sobre a relação com viver em São Paulo, e a perspectiva da vida dele.

 

[2009]  Emicida – Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe…

Emicida - Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe…

Emicida – Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe…

É a primeira mixtape do Emicida, e com certeza um marco pra nova geração do rap nacional, que traz o nome dele pro cenário e acaba influenciando toda a nova leva de rap que viria a aparecer no mainstream. Ele mesmo produziu as 25 faixas. É um disco bem sobre trajetória, uma narração autobiográfica dele e do irmão, Fióti. Eu vim ouvir esse trabalho faz poucos anos, na época eu era guardinha, e esses rappers tiveram sempre seus trabalhos associados a uma forma “menos rap” de se fazer rap. Depois de ouvir eu vi como perdi bastante com pré-avaliações de trabalhos que não ouvi. É uma mixtape recheada, e vale a pena cada segundo.

 

[2010] Tabata Alves – Pra Fortalecer

Tabata Alves - Pra Fortalecer

Tabata Alves – Pra Fortalecer

Tábata é foda na idéia, esse album é todo crítico, da maneira mais próxima possível. Ela deu um tempo pra fazer uns corres pessoais, mas deixou esse trabalho. Destaque pra faixa Mulheres, que não dá pra fugir da comparação, e  sentir Dina Di ali, todinha.

 

[2011] Dragões de Komodo – Jurassicamente Contemporâneo 

Dragões de Komodo - Jurassicamente Contemporâneo 

Dragões de Komodo – Jurassicamente Contemporâneo

Formado pelos Mc’s Indião e Phantom (da dupla Andrômeda), Yob e Rodrigo Nonato (do grupo Oficina da Rima), Zinho MC, Jah Dartanhan (vocalista da banda de reggae DaMata), e o DJ F-Zero (criador do selo Material Corrosivo), o som do Dragões de Komodo é simplesmente marcante. Misturando as batidas pesadas, com scratchs muito presentes, as letras trazem a tradicional “oreiada”, sobre postura, atitude e dia a dia.

 

[2012] Joey Bada$$ – 1999

Joey Bada$$ - 1999

Joey Bada$$ – 1999

Mixtape de estreia de um dos rappers que eu mais gosto dessa geração que ele compôs. Joey Bada$$ contou em 1999 com a produção de grandes caras que admiro, como MFDoom e JDilla, além de Freddie Joachim, Statik Selektah, Lord Finesse, Knxwledge e Lewis Parker. Com a proposta de retomar o rap feito nas ruas do Brooklyn (local de onde ele veio), ele com apenas 17 anos mostrou a que veio.

 

[2013] Hó Mon Tchain – Ascensão

PALAVRAS COMBINADAS DE ACERTOS E FURADAS, SEM TEMA, SERÁ QUE VAI DAR PROBLEMA? VAI NADA!

Trabalho de estreia do coletivo Hó Mon Tchain, independente paulistano. Formado por Amiltex, Diham, Falcon Mc, Mud, JG.Mano e Plano B, o grupo trabalha nesse álbum rimas urbanas passeando em bases fortes que se conversam durante todo o tempo.  

 

[2014] Isaiah Rashad – Cilvia Demo

Isaiah Rashad - Cilvia Demo

Isaiah Rashad – Cilvia Demo

EP de estreia de Isaiah, e totalmente independente. Tem participações da maravilhosa SZA, de Jay Rock e Schoolboy Q. Tem um time grande de produtores, e em cada faixa ele expõe a ansiedade e até parece um pouco de frustração, mas ao fim do disco parece estar mais forte, parece que falar sobre o deixa forte.  Gosto bastante desse trabalho.

 

[2015] Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly

Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly

Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly

Eu poderia amar esse disco só pela capa, ou só pelo Kendrick, mas não, cada som tem uma particularidade, em beats que incorporam jazz e funk, é maravilhoso. Terceiro álbum de estúdio do Kendrick, é compreensível porque foi uma das maiores notas em portais que reúnem notas de críticos.

 

[2016] Fatnice & Mushmouf – Supavision 

Fatnice & Mushmouf - Supavision 

Fatnice & Mushmouf – Supavision

Foi originalmente gravado  na Filadélfia, entre 2003 e 2005, e o projeto apresenta uma verdadeira escola de jazz-rap. É como se fosse uma cápsula do tempo que evoca a Golden Era e captura um momento importante na história do Hip Hop.

Ps: Essa capa linda, menção a Innervisions do Stevie Wonder.

 

[2017] Jonwayne – Rap Album Two

Jonwayne - Rap Album Two

Jonwayne – Rap Album Two

Procurem a história desse cara. O  rapper e produtor de Los Angeles, Jonwayne, que traz nesse álbum uma parada foda, de se auto buscar e responder a si mesmo, de forma bem instrospectiva e crítica, ele examina suas fragilidades. Conheci o trabalho dele no Rap Album One, de 2013, que ele usou no som The Come Up, Part 1 um sample do som I Ain’t Got Nothin’ do Dutch Robinson’s e ficou simplesmente linda.

 

[2018] Blu & Nottz – Gods in the Spirit, Titans in the Flesh

Parceria do produtor Nottz e do rapper Blu chega nesse EP de forma sensacional, assim como nos anteriores lançados. Tem algumas faixas recriadas, por isso chega como novidade e muito agradável de se ouvir. O ano ainda não acabou, e saiu muita coisa boa nacional e internacionalmente.

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Bom, como eu disse, é impossível listar um álbum por ano e sair satisfeita. Creio que faltaram clássicos, que faltaram nomes (MEU KRS ONE QUE O DIGA), mas está bem diversa e são discos que fizeram parte da formação da personalidade do meu gosto musical.

Valeu Raplogia! Valeu Marcola! É nóis!

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Marco Aurélio

Marco Aurélio

Fotografo shows sujos onde frequento, escrevo rimas que nunca vou lançar e faço pautas sobre coisas que vocês (ainda) não conhecem.

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