Fala pessoal, Linhas Soltas é uma coluna nova que vou estar produzindo aqui no Raplogia para discutir brevemente algumas linhas de faixas que têm sido lançadas recentemente. A ideia é, além de apresentar algumas explicações para trechos que podem ter passado despercebido ou que merecem uma explicação mais detalhada, chamar atenção para algumas faixas, artistas e projetos que não podemos deixar de conferir conforme a cena continua a nos fornecer lançamentos semanalmente. Para quem não tem tido muito tempo para acompanhar tanta coisa, as sugestões podem ser um bom começo para não ficar por fora das conversas.


1. Eloy Polemico em “Offline”

Eu já desejei conhecimento pleno
Todos os livros a mercê da curiosidade
Num toque apenas eu revivo um assassino ou gênio
Aprisionado na falta, triste realidade
Senti amor pelas palavras de quem nunca vi
Sempre vou inventar mais drogas, meios de fugir
Até não ver mais memes pra se divertir
Fazer de conta que seu boy não vai mas te agredir
Todas as merdas que falei viraram tatuagens
Julian Assange mostrou que o jogo é sem massagem

Eloy Polemico junto com os membros e chegados da gravadora Rancho Mont GomerMsor, Sergio Estranho, Anti-Herói e Sacolão – têm produzido alguns dos trabalhos mais consistentes da cena underground nacional. Nesta nova faixa os MCs mostram diferentes perspectivas para a influenciam da redes sociais e da era digital na sociedade.

No verso em destaque do Eloy, o MC viaja entre as linhas demonstrando o desejo do conhecimento pleno, de certa forma algo que a internet tem propiciado, o amplo acesso aos diversos tipos de conhecimento, até chegar ao polêmio Julian Assange, criador do WikiLeaks, site que divulga informações sensíveis e confidenciais de documentos de governos e empresas. De certa forma,  estas mudanças de assuntos seguem, a própria maneira como a navegação na internet ou em uma rede social acontece, indo de um tópico para outro, muitas vezes antagônicos ou aparentemente sem conexão entre si.

O acesso ao conhecimento também faz com que as pessoas enxerguem como a realidade pode ser triste, quando comenta sobre as agressões dos namorados, notícias cada vez mais comuns e divulgadas nas redes sociais. Ou como as as coisas são superficiais, como o próprio fato de uma frase do MC virar uma tatuagem, talvez seja um questionamento se o que ele havia dito realmente merecesse estar tatuado na pele de alguém.

Eloy Poelmico no clipe “Ando Esperto” do BLACKOUT

O verso estampa uma juventude que ao mesmo tempo dá esperança e traz preocupações. Pra quem não conhece o trampo do Eloy e do Rancho ainda, vale muito a pena se inteirar. Fica a sugestão de uma entrevista que eu fiz com o MC aqui no site sobre o seu álbum de estreia Dovahkiin


2. Refrão de “Quem Tem Joga” da Drik Barbosa com Gloria Groove e Karol Conká

Essas mina é monstra
O terror do baile chegou e tá pronta
Respeita e nem encosta
Se eu desço e se subo não é da sua conta

O tão aguardado disco de estreia da Drik Barbosa começa a tomar forma com o primeiro single revelado. “Quem Tem Joga” traz:

  • Drik Barbosa, MC que tem assombrado a cena com alguns dos versos mais quentes dos últimos anos.
  • Karol Conká, cujo o sucesso transcende a cena do rap.
  • Gloria Groove, a drag que é um verdadeiro fenômeno na música, principalmente devido ao sucesso nas misturas musicais que tem agitados muitos bailes pelo Brasil.

Imagem de divulgação do novo single e videoclipe para a faixa “Quem Tem Joga”

O refrão ressalta bem o sucesso que o trio tem dentro e fora da música. Sendo figuras que não só representam o sucesso, mas que inspiram outras pessoas a serem quem são. Também estabelece um posição de respeito necessária, pois no Brasil a violência contra as mulheres e a comunidade LGBT é evidente. E, porém, embora aqui o tom seja de denúncia, na música isso aparece de forma orgânica e sem tirar o tom positivo da faixa.

As expectativas para o lançamento do disco da Drik é alto e parece que a MC vai surpreender a todos.


3. Mr. Break em “A Sombra do Amanhã”

Contas em cima de contas
Na rua seus amigos em cima de pontas
E aquele amor vivente, amor “morrer de amor”
Sei que aqui geral se engana, só não se pratica amor

Pra quem acompanha a cena a alguns anos, não tem como ignorar influência do Break no rap carioca. Embora o MC e produtor não tenha um disco marcante, seus EPs, singles e participações sempre são consistentes – no texto “Decodificando com Genius: Sant” eu falo um pouco da relação de amizade que o Break tem o com Sant. Logo, não da para negar que a caneta do MC e produtor carioca é cirúrgica e as produções tem um ar de nostalgia, sempre muito influenciada pelo boom bap dos anos 90.

Nas linhas que eu destaco da faixa demonstram justamente a qualidade do Break na escrita. Assim, o MC traz duas situações que qualquer jovem que tenha a responsabilidade pagar as contas pode se identificar, independente da faixa etária. Aspecto este que se conecta com a questão do amor que remete a alguns sentidos:

  • o amor ao próximo, onde um ignora o outro ou fere a confiança do próximo. O que aparece em uma das linhas seguintes: “julguei pessoas e o laço se reverteu
  • o amor por uma profissão ou ofício, o qual muitos escolhem uma carreira que não amam para pagar as contas. Ideia que completa mais tarde na música, onde compara o sofrimento de não dar conta das responsabilidades com sonhos – “quem sabe a diferença entre dor e sonhar?

Imagem de ilustração no vídeo do Youtube para a faixa

“A Sombra da Manhã”, título da faixa, também é o nome do disco que os fãs esperam já faz alguns anos. Quem sabe 2019 teremos o prazer de ouvir essa obra completa.


Creio que é isso galera, espero que gostem das sugestões e destaquem. Qualquer coisa deixem comentários e até sugestões de faixas lançadas essa semana para a coluna semana que vem. Até.

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